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Os EUA são o maior mercado mundial para conteúdo narrativo africano, afirma o próximo estudo do Narrative Africa Fund

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Os Estados Unidos são o maior mercado mundial de conteúdos narrativos africanos — representando 8,7% da procura global — seguidos pelo Reino Unido, África do Sul, Canadá, França, Brasil e China.

Esta é uma das conclusões de um estudo divulgado na quinta-feira pelo Next Narrative Africa Fund, lançado em 2024 pelo antigo diplomata e advogado Akunna Cook, que é o CEO do fundo. NNAF é um fundo de conteúdo comercial de US$ 40 milhões emparelhado com US$ 10 milhões da organização sem fins lucrativos Venture Studio.

Outras conclusões importantes do estudo – realizado para a NNAF pela Parrot Analytics e considerado o primeiro do género – incluem o facto de as histórias africanas em língua não inglesa representarem 28% da procura global do público, mas apenas 16% da oferta disponível, “revelando uma clara lacuna estrutural no ecossistema global de streaming”, afirma o relatório. Portanto, há espaço para crescimento.

Geograficamente, excluindo África e as Caraíbas, os mercados onde o conteúdo africano é mais visto são moldados menos pela sua dimensão do que pela composição das populações locais, com a Bélgica e Portugal a liderarem na Europa Ocidental graças às suas grandes populações da diáspora africana.

Os EUA e o Reino Unido, apesar da sua escala, apresentam índices mais modestos em termos de percentagem de audiência, “sugerindo que, embora exista uma base da diáspora”, o conteúdo africano está “competindo com um enorme volume de conteúdo localmente dominante”.

Ao mesmo tempo, está a surgir uma forte procura de conteúdos narrativos africanos nos mercados “tanto dentro como fora dos corredores tradicionais da diáspora”, afirma o relatório. “Países como o Brasil — que partilha profundos laços históricos e culturais com África — juntamente com mercados como a China, ilustram como o apelo do público está a expandir-se muito para além do próprio continente.”

“O fio condutor consistente” em todo o estudo é que o conteúdo narrativo africano “encontra primeiro o seu público através da ligação cultural”, sublinhou o relatório.

Embora os Estados Unidos sejam responsáveis ​​pela maior parte da procura global de conteúdos africanos e da diáspora, mais de 90% da actividade de audiência deste tipo de conteúdos não se limita a um único mercado.

Curiosamente, nos EUA, as mulheres negras americanas consomem conteúdo liderado por negros a uma taxa cerca de seis vezes superior à da população geral dos EUA, “tornando-as o segmento de audiência mais preditivo para o sucesso do crossover”, afirma o relatório.

Entretanto, “os homens negros americanos desempenham um papel complementar, especialmente como pioneiros na narrativa africana não inglesa, ajudando a expandir o alcance para além dos títulos em língua inglesa”.

Em termos de títulos, “Pantera Negra” alcançou o pico número 1 tanto no mercado interno (nos EUA) quanto no mundo; provando “o potencial de expansão global da narrativa de inspiração africana”, afirma o relatório.

“Pecadores” alcançou o pico de procura doméstica número 1 e a procura mais elevada de todos os tempos “dentro da coorte”, ou seja, entre pessoas que já gostavam de conteúdos narrativos africanos. O filme dirigido por Ryan Coogler, que ganhou quatro Oscars, foi elogiado no relatório por “sua narrativa que mistura gêneros e alegoria cultural”.

A estrela de Viola King, “The Woman King”, classificou-se em 5º lugar em termos de procura interna e em 22º a nível mundial, colocando-o entre os dramas históricos africanos de melhor desempenho.

A série dramática adolescente sul-africana da Netflix, “Blood & Water”, é a série africana número 1 no mercado nacional (EUA), “provando o potencial de streaming global de histórias ambientadas na África com temas universais”.

Filmes independentes como “Atlantics”, dirigido por Mati Diop, e “Mami Wata”, de CJ Obasi, que foi indicado pela Nigéria ao Oscar este ano, ganharam grande reconhecimento internacional em Cannes e Sundance, “demonstrando que a narrativa africana ressoa não apenas comercialmente, mas também criticamente”.

A música é um grande impulsionador do conteúdo narrativo africano e “fornece uma das pontes mais claras entre a cultura e o ecrã”, destacou também o relatório.

Por exemplo, o documentário da HBO “Wizkid: Long Live Lagos”, sobre a estrela pop nigeriana Wizkid, é um sucesso global na categoria de documentário musical, posicionado no mesmo nível de outros documentos musicais com artistas reconhecidos mundialmente, como “Avicii: I’m Tim”; “Justin Bieber: Nosso Mundo”; e David Bowie documento “Moonage Daydream”.

“A comparação destaca como a propriedade intelectual da música africana já está a competir no mesmo ecossistema de procura global que os principais documentários musicais internacionais, reforçando o papel da música como uma poderosa porta de entrada para que a narrativa africana alcance audiências globais”, concluiu o relatório.

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