Por Amina Ismail
1º de junho (Reuters) – Legisladores e governos da União Europeia concordaram nesta segunda-feira sobre novas regras que permitem que países enviem migrantes ordenados a deixar o bloco para centros em terceiros países.
O acordo faz parte de um reforço mais amplo da política de migração da UE, num contexto de pressão dos partidos de direita, mesmo quando as chegadas irregulares caíram 26% no ano passado, para o nível mais baixo desde 2021.
A legislação, que ainda requer aprovação formal dos governos da UE e do Parlamento Europeu, foi proposta pela Comissão Europeia no ano passado. A comissão afirma que iria simplificar os procedimentos e dar aos governos mais ferramentas para deportar pessoas, respeitando simultaneamente os direitos fundamentais.
Os países da UE dizem que lutam para garantir que os requerentes de asilo rejeitados e os que ultrapassaram o período de permanência do visto deixem o seu território. A comissão afirma que apenas cerca de 20% das pessoas ordenadas a partir atualmente partem.
De acordo com as novas regras, os estados da UE poderão estabelecer os chamados “centros de regresso” fora do bloco para pessoas cujos pedidos de asilo tenham sido rejeitados ou que tenham recebido ordem de deixar a UE. Os deportados poderiam ser enviados para centros em países com os quais não têm conexões.
“Com as novas regras, temos mais controlo sobre quem pode entrar na UE, quem pode ficar e quem precisa de sair”, afirmou o Comissário Europeu Magnus Brunner.
INVESTIMENTOS EM CASA
O projeto de legislação prolonga os períodos de detenção e introduz sanções, incluindo proibições de entrada, multas e possíveis sanções penais por não cooperação.
As autoridades teriam permissão para apreender pertences, coletar dados biométricos e revistar residências. A coerção é permitida como último recurso para obter impressões digitais.
O acordo também permite que as autoridades revistam migrantes e “instalações relevantes”, um termo que grupos de defesa dos direitos humanos criticam por ser demasiado amplo e permitir incursões domiciliares.
Ativistas de direitos humanos e ONG que trabalham com requerentes de asilo na UE dizem que algumas das práticas já estão a ocorrer e aumentaram nos últimos meses, apontando para um aumento nas deportações da Alemanha e de outros estados de refugiados reconhecidos para a Grécia e outros países fronteiriços da UE.
Lá, dizem, em alguns casos, as autoridades realizam buscas domiciliares noturnas para deter pessoas e transferi-las para centros de detenção ou aeroportos para deportação, às vezes sem permitir que recolham seus pertences.
Minos Mouzourakis, advogado e responsável pela defesa da organização sem fins lucrativos Refugee Support Aegean, com sede na Grécia, alertou que o projeto de lei equivalia a “uma receita para práticas extremamente prejudiciais e extremamente perigosas” na Europa.
A legisladora verde francesa Mélissa Camara disse: “A legalização dos centros de retorno fora da União Europeia, a luz verde para a detenção de menores, as visitas domiciliares inspiradas nas práticas do ICE: o arsenal legal que serve uma ideologia xenófoba está agora completo.”
(Reportagem de Amina Ismail, reportagem adicional de Charlotte Van Campenhout e Layli Foroudi e Gnaneshwar Rajan em Bengaluru, edição de Nick Zieminski e Cynthia Osterman)












