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Acordo planejado de telecomunicações de US$ 24 bilhões do trio Explicador-French para testar a determinação da UE

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Por Gianluca Lo Nostro e Elvira Pollina

17 de abril (Reuters) – Uma oferta conjunta de 20,35 bilhões de euros (24 bilhões de dólares) da Bouygues Telecom, da Free e da Orange, de propriedade da Iliad, pela segunda maior operadora de telecomunicações da França, a SFR, parece destinada a testar a determinação regulatória da União Europeia.

Os reguladores há muito que traçam uma linha vermelha para manter quatro operadores por país, resistindo à pressão de consolidação para igualar os concorrentes mais dominantes dos EUA e da Ásia.

Cada operadora que adquirir uma parte da SFR enfrentará uma revisão antitruste separada, disse um porta-voz da Orange à Reuters.

As três empresas apresentaram a sua oferta conjunta para comprar a maior parte dos ativos da Altice France na sexta-feira, depois da sua oferta anterior de 17 mil milhões de euros ter sido rejeitada pela Altice, controladora da SFR, em outubro.

Um acordo bem-sucedido para a SFR, que é apoiada pelo bilionário Patrick Drahi, abalaria um dos mercados de telecomunicações mais competitivos da Europa. As operadoras em França estão envolvidas em guerras de preços há anos, pressionando as margens e o crescimento das receitas.

Um porta-voz da Comissão Europeia disse que não foi formalmente notificado da transação proposta.

“Se uma transação constitui uma fusão e tem dimensão europeia, cabe sempre às empresas notificá-la à Comissão”, acrescentou o porta-voz.

O QUE ESTÁ EM JOGO?

Os reguladores antitrust da UE impuseram soluções duras e bloqueios definitivos aos acordos de telecomunicações que propunham a redução do número de operadores de redes móveis de quatro para três num mercado de um único país, com vista a salvaguardar a concorrência e evitar aumentos de preços.

No entanto, um relatório da UE de 2024 sobre a competitividade do bloco instou os reguladores a aliviarem uma postura que resultou num setor altamente fragmentado e, em vez disso, concentrarem-se em ajudar as empresas a ganhar escala e competir com os rivais dos EUA e da China.

Isto ecoou alguns apelos dos CEO do sector para que a UE facilitasse as fusões, avaliando negócios a nível regional e não nacional e tendo em conta os planos de investimento.

A Comissão Europeia tem procurado aprovações de acordos pan-europeus para ajudar a aumentar a escala, informou a Reuters.

QUEM REVISARIA UM NEGÓCIO SFR?

A aquisição dos ativos franceses da Altice provavelmente enfrentaria uma revisão pela Comissão Europeia, que tem 25 dias úteis após o pedido ser apresentado para uma revisão de primeira fase. Pode ser prorrogado por 35 dias úteis, para considerar as soluções propostas ou o pedido de um Estado-Membro para tratar do caso.

A maioria das fusões obtém aprovação, mas ocasionalmente a Comissão abre uma investigação detalhada de segunda fase por até 90 dias úteis adicionais, que pode estender até 105 dias.

O QUE DIZ O GOVERNO FRANCÊS?

Paris desempenhará um papel fundamental no caso de um acordo, já que o governo francês é o maior investidor da Orange.

Como membro do conselho, a sua influência pode estender-se a negociações, que podem centrar-se na proteção do emprego e no interesse nacional.

O ministro das Finanças, Roland Lescure, disse que estará “extremamente vigilante”, especialmente nos preços e na qualidade do serviço.

QUAL É A PAISAGEM EXISTENTE DAS TELECOMUNICAÇÕES FRANCESAS?

A França tem quatro operadoras de telecomunicações, sendo a Orange a líder de mercado. Isto significa que só seria capaz de adquirir a menor parcela da SFR, que tem 19 milhões de assinantes móveis e mais de 6 milhões de clientes de fibra.

O ‌mercado francês passou por muitas transformações, com a própria Orange sendo adquirida pela France Telecom em 2000.

Em 2014, a Vivendi vendeu a SFR à Drahi’s Numericable por 13,4 mil milhões de euros em dinheiro e uma participação de 20% na entidade combinada, formando a Altice France.

A Altice fechou uma reestruturação de dívida no ano passado que deixou Drahi controlando 55% da Altice France e os credores 45%.

Entretanto, a Bouygues Telecom, que procura a maior fatia do negócio da Altice, expandiu-se através da aquisição da La ‌Poste Telecom, acrescentando 2,3 milhões de clientes em 2024.

A Ilíada entrou no mercado francês em 2012 com sua marca econômica Free, gerando forte concorrência de preços.

As três operadoras propuseram adquirir a maior parte das atividades da SFR, exceto suas participações em ativos de fibra e aquelas em departamentos e regiões ultramarinas francesas.

(Reportagem de Gianluca Lo Nostro e Elvira Pollina; edição de Alexander Smith)

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