MOSCOU (Reuters) – A Rússia planeja permanecer na Opep+ apesar da decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair, disse o Kremlin nesta quarta-feira, expressando esperanças de que a aliança de produtores de petróleo continue a operar em meio à turbulência no mercado global de energia.
Os Emirados Árabes Unidos disseram na terça-feira que deixariam a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, desferindo um golpe no grupo, já que uma crise energética desencadeada pela guerra no Irã expôs divisões entre as nações do Golfo.
Os Emirados Árabes Unidos foram o quarto maior produtor da OPEP+, enquanto a Rússia é o segundo, atrás da Arábia Saudita.
OPEP+ AJUDA A ‘MINIMIZAR FLUTUAÇÕES’-PESKOV
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a OPEP+ continua a ser uma organização importante, especialmente durante a atual turbulência nos mercados globais.
“Este formato ajuda a, digamos, minimizar substancialmente as flutuações nos mercados de energia e torna possível estabilizar esses mercados”, disse Peskov em teleconferência diária com repórteres.
Peskov disse que a Rússia respeitava a decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair, no entanto, e esperava que o diálogo energético de Moscou com o Estado do Golfo continuasse.
A Rússia aderiu à OPEP+ em 2016. O grupo produziu quase metade do petróleo e dos líquidos petrolíferos do mundo no ano passado, de acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia.
Teme-se uma coordenação mais fraca da OPEP
O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, disse na quarta-feira que a decisão dos Emirados Árabes Unidos “poderia fazer com que os países aumentassem a produção, reduzindo os preços globais no futuro”.
“Se os países da OPEP conduzirem as suas políticas de forma descoordenada (após a saída dos EAU) e produzirem tanto petróleo quanto as suas capacidades de produção permitirem e tanto quanto quiserem, os preços cairão em conformidade”, disse Siluanov.
Por enquanto, os preços do petróleo foram apoiados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, disse ele, e qualquer “excesso de oferta só se tornaria um risco após a reabertura do estreito”.
(Reportagem de Dmitry Antonov e Darya Korsunskaya; escrito por Vladimir Soldatkin; editado por Andrew Osborn e Bernadette Baum)













