Três questões que podem desvendar o acordo
Sessenta dias é tempo suficiente para testar o acordo, mas não para resolvê-lo. Três questões poderiam afundá-lo. O primeiro é o Líbano. O Irão elevou a fasquia, e continua a elevá-la, ao vincular qualquer acordo final a uma retirada total de Israel do Líbano, enquadrada no texto do acordo como respeitando a soberania e a integridade territorial do Líbano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de Israel, sinalizou que sim não se sinta vinculado pelo acordo entre Washington e Teerão e não tinha intenção de retirar as suas forças do Líbano. Juntamente com a ameaça permanente de Teerão de responder a qualquer ataque a Beirute, isto deixa o Irão no fio da navalha: agir sobre a ameaça e correr o risco de reacender a guerra e fazer ruir até mesmo o acordo provisório, ou conter-se e ver a sua credibilidade desgastar-se juntamente com a força do Hezbollah. Esta é a carta mais selvagem em jogo.
A segunda é a questão do programa nuclear e da remoção das sanções contra o Irão, que é o terreno tecnicamente mais exigente. O acordo nuclear com o Irão de 2015 foi um instrumento longo e granular que especificou, em detalhe, os limites do programa nuclear do Irão. O actual acordo apenas aborda as mesmas questões – o enriquecimento, o destino das reservas altamente enriquecidas – e deixa a substância para mais tarde, que é precisamente onde negócios deste tipo tendem a desmoronar.












