A era do trabalho remoto tornou mais fácil justificar o software de monitoramento de funcionários. O que começou como uma forma de observar as pessoas trabalhando em casa agora está sendo normalizado também nos escritórios. Bem na hora, um novo Estudo da Universidade do Nordeste sugere que os dados coletados por meio dessas ferramentas também estão sendo compartilhados com terceiros importantes, incluindo Google, Facebook e Microsoft.
David Choffnes, professor da Khoury College of Computer Sciences do Nordeste e um dos coautores do estudo, disse que a pesquisa mostra quão pouca proteção à privacidade os trabalhadores têm no local de trabalho. Ele também observou que a questão não é apenas a recolha de dados pelos empregadores, mas o facto de esses dados estarem a ser partilhados fora da empresa.
Os pesquisadores testaram nove plataformas “bossware”, incluindo Apploye, Deputado, Desklong, Hubstaff, Monitask, Buddy Punch, Time Doctor 2, Vericlock e When I Work. Essas ferramentas permitem que os empregadores rastreiem atividades por meio de pressionamentos de teclas, cliques do mouse, localização, informações do dispositivo e visitas à web.
O que os pesquisadores descobriram?
A Northeastern descobriu que todas as nove plataformas compartilhavam dados pessoais dos trabalhadores, incluindo nomes, endereços de e-mail e informações do empregador, com empresas de tecnologia e publicidade. Os dados de atividades dos funcionários também foram enviados para mais de 145 domínios, incluindo Google, Facebook, LinkedIn, Yandex e AppLovin.
Um terço dos aplicativos também oferecia rastreamento de localização preciso, mesmo quando executado em segundo plano. Choffnes alertou que isso transforma o software de monitoramento em algo que pode acompanhar os trabalhadores além de suas mesas.
O que isto significa, em termos gerais, é que os dados dos funcionários não podem ficar entre o trabalhador, o empregador e o aplicativo de monitoramento. Ele pode migrar para uma rede de rastreamento terceirizada muito mais ampla, muitas vezes sem que os funcionários tenham muito controle sobre para onde ele vai ou como é usado.
Os dados dos trabalhadores estão se tornando combustível para IA
O que torna estas descobertas mais preocupantes é a tendência recente das empresas de IA recolherem dados de comportamento humano como material de formação. A Meta supostamente enfrentou reações internas em relação ao software que registra a atividade dos computadores dos funcionários para treinar agentes de IA, já que a empresa recentemente cortou cerca de 10% de sua força de trabalho.

Na Índia, os relatórios também destacaram trabalhadores usando câmeras ou filmando tarefas físicas diárias para treinamento em IA e robótica. Embora estes casos sejam diferentes do compartilhamento de dados de bossware, eles apontam para o mesmo problema de empresas de tecnologia que coletam dados humanos relacionados ao trabalho, às residências e às rotinas diárias.
O relatório do Nordeste não afirma que esses dados foram enviados para treinamento de IA. Pode simplesmente estar alimentando o mesmo mecanismo de publicidade e análise que já segue as pessoas online. Dito isto, o rastreamento detalhado dos trabalhadores já está se tornando uma prática comum. Nesse ritmo, quanto tempo levará até que os trabalhadores sejam solicitados a treinar os sistemas destinados a substituí-los?













