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Selton Mello sobre o impulso contínuo de ‘I’m Still Here’, participando de Cannes pela primeira vez com ‘La Perra’ e interpretando gêmeos ao lado do elenco estrelado em ‘Zero K’

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Pela forma como ele organiza os próximos projetos, pode-se pensar que Selton Mello tem 72 horas por dia. Mas a agenda lotada é uma alegria, e não um fardo, para o ator brasileiro, que está ávido por aproveitar o ímpeto contínuo do filme vencedor do Oscar de Walter Salles, “Ainda Estou Aqui”.

Atualmente passando por um período de muitas estreias em sua carreira de décadas – tendo acabado de estrelar sua primeira grande produção de Hollywood ao lado de Jack Black e Paul Rudd em “Anaconda” de Tom Gormican e atuando em francês pela primeira vez em “I Don’t Even Know Who I Was” de João Paulo Miranda Maria – o ator agora se prepara para vivenciar sua primeira Cannes com “La Perra”, de Dominga Sotomayor, também seu primeiro filme em espanhol.

“Estou permitindo que as coisas aconteçam e mantendo a porta aberta”, diz ele Variedade. “Depois de ‘I’m Still Here’, eu poderia ter planejado vários projetos no Brasil que bloqueariam meu tempo por um tempo, mas não quero fazer isso. Quero ter a chance de embarcar em outros projetos e vivenciar novas experiências e conhecer novas formas de trabalhar.”

Participar do Oscar realizou um dos sonhos de Mello, que parecia impossível por muitos anos. Agora se preparando para ir a Cannes, o ator sente a mesma excitação infantil. “Tenho uma carreira de 40 anos, já atuei em dezenas de filmes e dirigi três e nunca estive em Cannes, o que é uma coisa muito curiosa. Estou muito, muito animado por estar lá. Me sinto como uma criança indo para o parque de diversões porque todos os meus ídolos já estiveram em Cannes. Nunca andei no tapete vermelho, nunca estive no Palais e não tenho ideia de como será. Estou vivenciando muitas primeiras vezes e adorando cada minuto disso.”

Mello começou a atuar ainda criança em novelas brasileiras, passando para o cinema no início da idade adulta. O ator detém diversos grandes sucessos de bilheteria em seu país de origem, além de ter atuado em filmes seminais que moldaram a cara do cinema brasileiro durante o Cinema da Retomada do país, período entre 1995 e 2005 marcado pela reestruturação das políticas de desenvolvimento que permitiram um boom cinematográfico na nação latino-americana. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos incluem “A Dog’s Will”, “Lisbela and the Prisoner”, “Drained” e “My Name Isn’t Johnny”.

Quando questionado sobre a diversidade de seus projetos recentes, que vão desde grandes produções de estúdio até filmes independentes latino-americanos, o ator afirma que esse é um padrão que seguiu ao longo de sua carreira. “Sempre tentei oscilar entre a comédia popular e o cinema de arte”, diz ele. “O que ‘I’m Still Here’ fez por mim, e por isso serei eternamente grato ao gênio que é Walter Salles, foi abrir as portas para o mundo. Estou passando por um momento muito rico de criatividade pessoal, onde posso testemunhar o cinema em suas diversas formas, e estou absorvendo cada minuto.”

Eu ainda estou aqui

Crédito: Alile Dara Onawale – Globoplay

“Acho lindo porque estou curioso e animado, mas fui recebido com o mesmo sentimento por outros atores”, acrescenta. “Pessoas que admiro há muito tempo vêm até mim com grande respeito. Quando cheguei ao set de ‘Anaconda’, eles tinham um tapete vermelho esperando por mim. Eles me chamaram de garoto do Oscar. Paul Rudd e Jack Black me disseram: ‘Nunca fomos indicados ao Oscar, mas você foi! Você é o único no set indo para o Oscar!’ Eles estavam todos torcendo pelo filme.”

Atualmente, Mello tem mais uma vez a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns de seus ídolos internacionais, incluindo Peter Sarsgaard e Caleb Landry Jones, enquanto filma “Zero K” de Michael Almereyda em São Paulo. Adaptação do best-seller de Don DeLillo no New York Times, o filme é produzido pelo colaborador de longa data de Mello, Rodrigo Teixeira, da RT Filmes. O filme também é estrelado por Britt Lower (“Severance”) e Inga Ibsdotter Lilleaas (“Sentimental Value”).

“É meu segundo filme em inglês depois de ‘Anaconda’, mas desta vez uma produção artística, o que é muito interessante”, diz ele sobre o projeto. “Almereyda foi fundamental para minha geração por causa de seu incrível ‘Hamlet’, estrelado por Ethan Hawke. É uma alegria trabalhar com pessoas que admiro profundamente. Eu adorei o trabalho de Caleb há muito tempo. Sou um grande fã de ‘Nitram’ e poder trabalhar juntos e passar algum tempo conversando sobre filmes e música tem sido uma grande alegria.”

“Zero K” também acrescenta outra novidade à contagem de Mello, já que ele jogará contra gêmeos, um desafio que ele nunca enfrentou antes. “É um ótimo exercício para a minha criatividade, que sempre acolho com satisfação.”

Além de seu trabalho na língua inglesa, Mello também está emocionado por ter tido a oportunidade de atuar em espanhol em “La Perra”, de Dominga Sotomayor, com estreia na Quinzena dos Realizadores. O ator enfatiza que adoraria continuar trabalhando na América Latina e reforçar seu senso de latinidade.

“Quando embarquei no ‘La Perra’, outras oportunidades na América Latina começaram a surgir e agora estou dando o pontapé inicial em alguns projetos diferentes com parceiros realmente excelentes”, brinca. Não esperava o sucesso que ‘I’m Still Here’ teria na América Latina, mas também na Europa. Isso me ajudou a conseguir um empresário em Londres, o que abriu um universo totalmente diferente. Então as pessoas na América Latina começaram a bater à minha porta e estou muito feliz por mantê-la aberta.”

“La Perra”, cortesia de Simone D’Arcangelo

Com tantos novos desafios em sua carreira, o que ele ainda gostaria de fazer? Um dos focos é expandir seu trabalho como diretor e capitalizar oportunidades internacionais também sob esse ângulo. Mello dirigiu “O Palhaço” e “O Filme da Minha Vida”, estrelado por Vincent Cassel, além de dirigir e estrelar a versão brasileira de “Em Tratamento”, que chega à sexta temporada no Globoplay. Atualmente, Mello está preparando seu mais novo projeto de direção, uma adaptação do renomado escritor brasileiro Machado de Assis, “O Alienista”.

“Houve um momento na minha carreira de ator em que senti que tinha feito tudo, e foi então que me tornei diretor”, lembra ele. “Essa decisão abriu o meu mundo e me trouxe de volta àquela euforia infantil. Depois aconteceu a mesma coisa quando decidi dirigir para a televisão e novamente quando trabalhei internacionalmente.”

Falando sobre “In Treatment”, Mello destaca que a versão brasileira do formato de sucesso internacional é a que dura mais tempo. “Acho isso curioso porque as pessoas veem o Brasil como um país de futebol e praia, e aí temos essa série densa, profunda, que aborda a saúde mental com tanta sensibilidade, que faz tanto sucesso. A série foi meu mestrado como diretora porque se passa em uma sala com duas pessoas. Não dá para fugir dela, então tem que tornar isso atraente para o público.”

Quanto a “O Alienista”, Mello chama-o de “sonho de longa data”. “Li a história pela primeira vez quando tinha vinte e poucos anos e fiquei louco com ela. Fiquei obcecado.” Atualmente está preparando a produção do filme, que também estrelará como Doutor Simão Bacamarte, “um médico que cuida da mente humana e que estuda o limite entre a razão e a loucura”. O filme é produzido pela Conspiração, produtora líder no Brasil, com quem Mello também colabora em um projeto não anunciado “a ser filmado em vários idiomas” e atualmente em desenvolvimento.

Além de “The Alienist”, Mello está agora na pós-produção de “I Don’t Even Know Who I Was”, de João Paulo Miranda Maria, em Paris, que também produziu ao lado de Les Valseurs e MyMama Entertainment. Ele também está trabalhando em estreita colaboração em projetos internacionais ao lado da produtora veterana e chefe do Festival de Cinema do Rio, Ilda Santiago e Mayra Faour Auad, por meio de seu selo MyMama Entertainment, observando que eles formaram “um coletivo criativo” para lançar projetos. Para finalizar, Mello também está em negociações para um novo projeto com o colaborador de longa data Rodrigo Teixeira na RT Features.

Selton Mello é representado por Conway van Gelder Grant e TFC Management.

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