A VDF Connection, agência boutique de consultoria e vendas com sede em São Paulo focada em cinema de autor e de gênero, retorna ao Marché du Film do Festival de Cannes com sua segunda edição do VDF Showcase, sua plataforma de treinamento, apoio e visibilidade internacional para filmes em estágios avançados.
A empresa é liderada pelos sócios Mónica Trigo, consultora internacional de longa data e curadora de festivais, e Javier Fernández, ex-Blood Window, plataforma pioneira de gênero da Ventana Sur.
“Acreditamos que esta edição oferece um panorama particularmente estimulante, com obras que envolvem diferentes gêneros, sensibilidades e abordagens de produção, mas compartilham o mesmo compromisso com o risco, a identidade e a projeção internacional”, disseram Fernández e Trigo. Variedade.
“Todos os filmes selecionados anteriormente participaram de um treinamento destinado a fortalecer seus materiais, estratégia de posicionamento e preparação para o Marché du Film, com o objetivo de chegarem prontos para se conectar com programadores de festivais, agentes de vendas e parceiros estratégicos da indústria internacional”, acrescentaram.
A iniciativa contará com 15 títulos e será dividida em duas seções complementares: Cortes Fantásticos, com 7 longas-metragens concluídos e em pós-produção ligados à fantasia, suspense, ficção científica e terror; e First Look, apresentando 8 filmes recentemente concluídos, abrangendo ficção de autor, documentário e obras de diferentes formas, linguagens e escalas.
A primeira exibição será Fantastic Cuts, realizada no dia 16 de maio, numa sessão dirigida a programadores de festivais e agentes comerciais internacionais. A seleção reúne títulos da Suíça, México, Brasil e Estados Unidos. Para a sua segunda exibição, First Look reúne oito títulos recentemente concluídos que partilham uma visão estética e narrativa distinta e oferecem uma primeira abordagem ao circuito internacional de festivais, mercados e outras oportunidades de distribuição. A exibição acontecerá no dia 18 de maio.
Além disso, a VDF Connection apresentará um line-up de três títulos disponíveis para vendas internacionais. O primeiro é “Covil” (“Além do Ninho”), dirigido por Rodrigo Lages e estrelado por Vitória Strada. O filme fechou recentemente acordo com a Globoplay para distribuição no Brasil, cabendo à VDF Connection cuidar de suas vendas internacionais. “Consecuências Paralelas”, drama de ficção científica dirigido por Gabriel França e CD Vallada, tem distribuição brasileira e está sendo administrado pela O2. Por fim, “You’re It” (“La Mancha”) é dirigido por Adrián e Ramiro García Bogliano e teve sua estreia mundial no BAFICI na seção Nocturna.
CORTES FANTÁSTICOS
Velocidade de zoom
“Zoom Speed” (Jesús Magaña Vázquez, México)
Produzido pela própria Sobreviviente Films de Vázquez (“Recursos Humanos”, “Eu e o Alien”), “Zoom Speed” levanta a questão: “E se a pandemia nunca acabasse?” O mundo virtual é a única interação humana permitida e o TK 84 recruta rebeldes para fazerem parte de um espaço virtual onde possam viver sem restrições, diluindo a realidade até que a atmosfera se torne violenta. “Para mim, fazer um filme de ficção científica foi a oportunidade de mergulhar no gênero que me fez apaixonar pelo cinema”, afirma Vázquez.

Crepúsculo, crônica de uma visita desconfortável
“Crepúsculo, Crônica de uma Visita Incômoda” (Marcos Aurelio Ramirez, Suíça)
Emma aguarda o retorno de seu marido Heinrich, mas seu convidado, o misterioso Besalduc, inspira medo nela. Quando Heinrich e a filha adoecem, a mulher suspeita que o homem seja um vampiro. “Este é um filme que busca abordar o assédio e a intolerância na era analógica”, afirma o diretor-produtor suíço-mexicano Marcos Aurelio Ramirez. Produzido por ARBE Productions GmbH, Cuartito Studio Records e Art off Film.

Sob o céu quebrado
“Sob o Céu Quebrado” (Luciana Malavasi, Brasil)
Beatriz, uma executiva de 45 anos à beira do colapso, conhece Áureo dos Campos, um carismático terapeuta que lidera uma comunidade isolada, e decide levar o filho para seu retiro. Enquanto ela busca a cura, a comunidade confunde a linha entre cuidado e controle. Malavasi diz que “o filme explora como a vulnerabilidade, a fé e a necessidade de pertencimento podem ser manipuladas sob a promessa de cura, refletindo fraturas profundas na sociedade contemporânea”. Produzido por Pulsate Filmes, Franco Produções e Maria Zimbro.

Dark Corners 2: A Maldição de Safira
“Dark Corners 2: A Maldição de Safira” (Henrique Nuzzi, Brasil)
A sequência de “Dark Corners: The Legacy of Pietra”, o filme segue Beatriz, uma YouTuber e investigadora paranormal, e seu cinegrafista Hermes. Eles são atraídos para uma fazenda remota no interior do Brasil enquanto procuram pela desaparecida Clarice. “Ao contrastar a realidade digital moderna com o poder bruto da natureza ancestral, o filme retrata a desobediência como um caminho para a liberdade”, diz Nuzzi. Produzido por Nuzzi Film e Data Estelar Estúdios.

O Taxidermista
“O Taxidermista” (Paulo M. Nascimento, Brasil/EUA)
Num apartamento no Brooklyn, uma ex-enfermeira se agarra à Bíblia enquanto cuida da filha, que está em coma há anos. Quando sua filha morre, ela inicia uma onda de assassinatos, acreditando que pode dar a eternidade às pessoas por meio da taxidermia. O escritor, produtor e diretor Nascimento diz que o filme é um “filme poderoso, sangrento e de terror, no qual a loucura transforma a fé em violência”. Produzido pela Accorde Filmes e Rose Pictures.

Paraíso
“Paradiso” (Davi Revoredo, Brasil)
Num Brasil distópico onde os mortos continuam presentes como réplicas digitais controladas por empresas, uma jovem luta para manter a sua mãe viva, mesmo quando os custos a empurram ainda mais para o endividamento e a dependência emocional. Fazendo sua estreia como diretor, Revoredo fez o filme inteiramente com elenco e equipe da cena underground local de sua cidade natal. “É uma mistura ousada de ficção científica, surrealismo, comédia e drama social que levou quase uma década para ganhar vida”, diz ele. Produzido por Com Arte Cultural.

Além do Ninho
“Além do Ninho” (“Covil”), (Rodrigo Lages, Brasil)
Uma jovem herda uma casa marcada por disputas familiares e descobre um quarto escondido que esconde um segredo terrível, desencadeando uma viagem a um legado sombrio ligado ao seu passado. O filme “explora como o silêncio, a culpa e a herança podem nos prender em prisões invisíveis. Através do terror psicológico, examina como os segredos de família moldam a identidade e o custo de confrontá-los”, diz Lages. Produzido pela AVNOVE e representado pela VDF Connection, o filme será lançado no Brasil via Globoplay, plataforma importante.
PRIMEIRA VISUALIZAÇÃO

Bravo
“Bravo” (Bonzo Villegas, Argentina)
Uma trabalhadora do sexo em declínio no norte da Argentina encontra um caminho para um mundo de elite através de um crime inesperado, aproximando-o do homem que ele deseja obsessivamente. “Bravo é um filme baseado em personagens, inspirado em acontecimentos reais, que explora a masculinidade como performance e confinamento através de um protagonista que está constantemente se remodelando para pertencer”, diz Villegas. Com a participação especial de Esteban Meloni, o filme é produzido por Lánton, Grupo Clap e Noa Grip.

Ilhéus
“Ilhéus” (Manu Sobral, Brasil)
Luana, uma estudante de arqueologia, chega a uma ilha determinada a investigar vestígios de pessoas desaparecidas dentro de uma caverna misteriosa. A jornada científica se transforma em uma jornada assustadora e psicodélica.
“‘Ilhéus’ foi filmado em uma reserva ambiental na região mais urbanizada do Brasil. Explora a natureza como personagem central, conta com uma equipe predominantemente feminina e explora a linguagem da fantasia, colocando-a em diálogo com o terror e a fábula”, diz Sobral. Produzido por Zarvos Estúdio e RZP Filmes.

Onde estamos seguros
“Onde estamos seguros” (Thais Scabio, Gilberto Caetano, Brasil)
Um jovem casal, marcado pela violência racial, busca refúgio em uma antiga casa no interior de São Paulo, onde encontra um espírito ancestral em busca de vingança. Estrelados por Aguida Aguiar (“Ainda Estou Aqui”), os diretores Scabio e Caetano “buscaram transformar os traumas da violência racial em uma experiência sensorial, onde o horror ao corpo feminino negro decorre não apenas do sobrenatural, mas da vida cotidiana e da dor persistente dentro dele”. Produzido por Cavalo Marinho Audiovisual.

Quase inverno
“Quase Inverno” (Rodrigo Grota, Brasil)
Ambientado no Brasil da década de 1970, época em que o país estava sob uma ditadura militar. Três irmãs voltam para a fazenda onde nasceram. Ao se reencontrarem com o irmão, eles recebem a visita de soldados e enfrentam questões e segredos do passado. “A fotografia, a concepção de produção e a trilha sonora foram criadas com o objetivo de reforçar um certo aspecto atemporal da trama”, diz Grota. O filme é para o público adulto e é “dirigido por personagens reais com problemas, alegrias e medos reais”, acrescenta o produtor Guilherme Peraro. Produzido pela Kinopus e parte do Laboratório Curitiba 2025.

Alaide Costa e João Gilberto. A Noite de Alaíde
“A Noite de Alaíde” (Liliane Mutti, Brasil)
Alaíde Costa sai do subúrbio carioca e entra no nascimento da Bossa Nova, ao lado de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Estrelando Teka Remualdo (“3%”) como a única mulher negra no centro do movimento, ela é excluída do lendário concerto do Carnegie Hall. Aos 90 anos, ela viaja pela América para retomar o palco que a história lhe negou. A Bossa Nova “estetizou a suavidade ao mesmo tempo que excluiu os corpos femininos negros de sua narrativa central”, diz Mutti. Produzido pela TOCA Filmes e representado pela Bretz Filmes.

O Chamado do Rosário
“O Chamado do Rosário” (Reginaldo Marques Silva, Brasil)
Quando os tambores ecoam, gerações inteiras falam. “O Chamado do Rosário” viaja por vozes, corpos e territórios para revelar a força dos negros no Brasil e a persistência de suas tradições. Com um elenco de mais de 40 comunitários de dez municípios mineiros, “o filme se torna um documento histórico e um ato de memória, preservando para as gerações presentes e futuras a luta contínua por direitos, reconhecimento e permanência”, diz Marques Silva. Produzido pelo Instituto Gesto.

Minha querida Alice
“Minha Querida Alice” (Rogério Sagui, Brasil)
Alice é uma professora rural que mora em uma fazenda com os pais adotivos, mas o retorno inesperado dos irmãos transforma a casa em um verdadeiro pesadelo. Após sofrer uma brutal tentativa de feminicídio e descobrir que seu pai foi levado à força, Alice terá que lutar para resgatá-lo e reconstruir sua própria vida. Sagui afirma que “a história se destaca por transformar um drama familiar em um intenso thriller psicológico, onde a ameaça tem origem dentro da própria família”. Produzido por Kalimann Produções e RY Produções.

Versão da Lei
“Versão da Lei” (Ninna Fachinello, Brasil)
Uma advogada especializada na defesa de mulheres vê seus limites profissionais eticamente tensos ao se envolver no caso de uma mãe solteira encurralada pelo ex-companheiro. Confrontando os limites da lei diante de uma violência que o sistema insiste em não reconhecer, Fachinello diz que o filme “nasceu da minha própria experiência, mas rapidamente percebi que estava contando a história de milhares de mães”. Financiado pela Ancine e BRDE, o elenco conta com Tati Villela, Mariana Xavier e o ator português Pedro Carvalho. Produzido por ColetivA DELAS.













