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Honda enfrenta a primeira perda em 70 anos depois de matar três modelos EV

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A Honda está desmantelando três veículos elétricos que se destinavam à produção na América do Norte, uma decisão que desencadeará seu primeiro prejuízo anual como empresa de capital aberto em quase sete décadas. A montadora japonesa confirmou na quinta-feira que está matando o Honda 0 SUV, o Honda 0 Saloon e o Acura RSX, absorvendo um golpe financeiro que pode atingir 2,5 trilhões de ienes, ou cerca de US$ 15,7 bilhões, neste ano fiscal e no próximo.

A mudança ocorre no momento em que a empresa é pressionada em duas direções ao mesmo tempo. A procura de veículos eléctricos nos Estados Unidos diminuiu consideravelmente, enquanto na China está a perder terreno para concorrentes nacionais como a BYD, que se movem mais rapidamente e pensam de forma diferente sobre o que os compradores de automóveis modernos desejam. Wall Street percebeu, com as ações caindo quase 6% nas negociações de Tóquio na sexta-feira.

Os três EVs que não sobreviverão

Os modelos cancelados representam um recuo significativo em relação às ambições elétricas da Honda. Dois deles, o SUV e o Saloon, pertenciam à nova Série 0 da empresa, enquanto o terceiro estava programado para usar o emblema Acura. Todos estavam no caminho certo para a produção nos EUA, mas a Honda concluiu que empurrá-los para um mercado de EV em desaceleração apenas cavaria um buraco mais profundo.

Esse retrocesso acarreta custos reais. A empresa agora espera assumir baixas contábeis nos equipamentos de fábrica vinculados a esses modelos, além de encargos adicionais pela descontinuação de seu desenvolvimento. Para o atual ano fiscal, a Honda prevê despesas operacionais entre 820 bilhões de ienes e 1,12 trilhão de ienes, ligadas diretamente aos cancelamentos. Uma imparidade separada nas suas difíceis operações chinesas acrescenta outros 110 mil milhões a 150 mil milhões de ienes em perdas provenientes de investimentos de capital.

Por que a demanda desapareceu e a China ficou dura

A Honda enquadra isso como uma resposta às mudanças no solo sob seus pés. Nos Estados Unidos, o esperado boom dos veículos eléctricos perdeu força depois de os decisores políticos terem flexibilizado as regras sobre combustíveis e recuado nos incentivos. Um mercado que há alguns anos parecia uma aposta segura parece agora uma aposta que a empresa não consegue justificar.

O verdadeiro problema, porém, pode ser a China. A Honda reconhece que foi superada por uma onda de startups de veículos elétricos que priorizam software e assistência ao motorista em vez de argumentos de venda tradicionais, como economia de combustível ou espaço na cabine. Esses recém-chegados se movem rapidamente e a Honda não conseguiu acompanhar seu ritmo. As vendas foram prejudicadas e agora a empresa está cancelando suas joint ventures lá.

O que acontece agora na Honda

A liderança da empresa não foge da responsabilidade. O presidente e o vice-presidente perderão seus bônus de curto prazo e sofrerão cortes salariais de 30% durante três meses. Outros executivos da divisão automotiva estão aceitando reduções de 20%.

Olhando para o futuro, a Honda planeia voltar aos híbridos, particularmente nos EUA e na Índia, onde a procura continua forte. Isso não significa que os EVs estão mortos para sempre. A empresa pretende reintroduzi-los de forma mais gradual, aguardando até que a matemática sobre a rentabilidade e o apetite do consumidor se alinhem. Uma estratégia mais completa chega em maio, quando a Honda promete apresentar seu roteiro revisado. Por enquanto, o futuro elétrico chega mais lentamente do que o planejado.

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