Quando eu era criança eu tinha medo
do espaço entre Um e Zero
vasto como as eras anteriores ao meu nascimento
estreito como a minha morte – tarde da noite
Eu ouvi meus pais discutindo
amorosamente em seu quarto trancado,
o gato angorá voltando para casa
com um pardal na boca,
e as gotas de chuva nas telhas
contando-se – como dormir,
como atravessar o lugar vazio
entre o nome “pardal”
e aquela coisa mole chorando,
inflexível, me criando com seu grito













