O festival que foi originalmente concebido e criado em 1991 pelo cantor do Jane’s Addiction, Perry Farrell, como uma turnê de despedida para sua banda é hoje um dos grandes festivais de música alternativa.

Tivemos a oportunidade de conferir, correndo de palcos a palcos, algumas das bandas convidadas para um maiores festivais imigrados para a América Latina.

O festival que ocorreu dias 25 e 26 de março foram divididos em quatro palcos, o Perry’s destinado principalmente para shows de eletrônica e techo e os demais (Skol, Axe e Onix) em gêneros musicais levemente variados, de música brasileira, alternativo e até punk. Cobrimos majoritáriamente grande parte dos shows nos palcos Skol e Axe.

Cage the Elephant (Palco Skol 16h25-17h25)

Aos pulos, requebros e berros de Matt Shultz que foi regido o show do Cage. Não há como olhar a presença de palco do frontman e não comparar na hora com o Mick Jagger dos Stones. É engraçado como a energia do público que Matt tem hoje é parecida com a de Jagger quando ele tinha seus 30 anos.

Apesar desse swing todo, muita das músicas não se tornaram “únicas” quando postas umas com as outras no setlist escolhido. Pareciam que algumas eram mais do mesmo. E durante as faixas do (não tão) novo álbum o público ficava silencioso, como ‘Tell Me I’m Pretty’ (2015). Cage The Elephant foi mais animado pela presença de palco do que pelas músicas em si. Contudo ainda fazendo um ótimo show.

SETLIST

  • Cry Baby
  • In One Ear
  • Spiderhead
  • Too Late to Say Goodbye
  • Cold Cold Cold
  • Trouble
  • Ain’t No Rest for the Wicked
  • Mess Around
  • Punchin’ Bag
  • Telescope
  • It’s Just Forever
  • Come a Little Closer
  • Cigarette Daydreams
  • Shake Me Down
  • Teeth

 The 1975 (Palco Onix 17h30-18h30)

Entraram de cabeça baixa, tocaram e saíram, algo absurdamente frio e com um sentido de cumprir obrigação do agente. Assim foi o show do 1975. Não há como uma banda de um nome levemente famoso apresentar um show com tamanho descaso em um dos grandes festivais mundiais.

O única ressalva na animação do show foi dada pelos fãs, cantando e dançando, tomados pela empolgação de ver sua banda favorita ao vivo, talvez pela primeira e única vez.

SETLIST

  • The 1975
  • Love Me
  • UGH!
  • Heart Out
  • A Change of Heart
  • Loving Someone
  • She’s American
  • Somebody Else
  • Girls
  • Sex
  • If I Believe You
  • Chocolate
  • The Sound

Rancid (Palco Skol 18h35-19h35)

Com mais de 20 anos de estrada, ver a passagem do californianos “pseudo-inglesados” do Racid pela primeira vez no Brasil, realmente é algo que há de impressionar. Com o show com muito mais público que o esperado era de se notar não só a emoção em Lars Frederiksen mas nos fãs (e recém-convertidos que só estavam ali para “pegar grade” no Metallica).

Em meio a pulos do Timothy Armstrong e algumas tímidas “rodas de porrada”, o show foi impecávelmente divertido, além uma surpresa agradável.

SETLIST

  • Radio
  • Roots Radicals
  • Journey to the End of the East Bay
  • Maxwell Murder
  • The 11th Hour
  • East Bay Night
  • Last One to Die
  • Dead Bodies
  • Salvation
  • Bloodclot
  • Old Friend
  • The Bottle
  • St. Mary
  • Tenderloin
  • Olympia WA.
  • Honor Is All We Know
  • It’s Quite Alright
  • Fall Back Down
  • Time Bomb
  • Ruby Soho

The XX (Palco Onix 19h40-20h55)

Uma quase lotação insuportável, em uma das maiores áreas de palco no festival, é um sinal de quantos aguardavam ansiosamente para o show dos ingleses do The XX. Com seu carisma blasé e tímido, o trio sobe ao palco e faz uma forma de show que beira a “preliminares”; são óbvias as influências da banda, com uma guitarra alá Johnny Marr (ex-Smiths) e até momentos mais melódicos que lembram Oasis.

O show foi lento, silencioso e lotado. A gosto dos fãs foi um dos melhores shows da noite, não apenas por ser um dos mais aclamados, digno de “Bis”, mas pelos berros com os olhos lacrimejando de grande parte da platéia.

SETLIST

  • Say Something Loving
  • Crystalised
  • Islands
  • Lips
  • Sunset
  • Performance
  • Infinity
  • VCR
  • I Dare You
  • Dangerous
  • Fiction
  • Shelter
  • Loud Places
  • Bis:
  • On Hold
  • Intro
  • Angels

Metallica (Palco Skol 21h-23h)

Como encerramento mais peculiar para uma primeira noite de um festival indie, o Metallica lotou como ninguém o palco Skol. A banda atrasou alguns minutos propositalmente para o público chegar ao palco vindo dos demais shows anteriores.

A partir do momento em que a famosa trilha introdutória de Ennio Morricone começa a tocar para a introdução da nova música do álbum homônimo, Hardwired… to Self-Destruct, o público parece desmotivado, e pior, o Metallica também.

Já fazem alguns anos que o Metallica já não tem aquela mesma emoção de sua época de ouro e isso transparecia quase totalmente no show. O público que não era deles, um setlist fraco e com inúmeras músicas mais lentas em apelo ao público e um show que parecia mais para promover o novo álbum do que agradar a minoria de fãs no festival.

Mesmo com este grande pesar, empolgou muitos fãs no autódromo ou em casa com a transmissão ao vivo. Até por que, mesmo desmotivados e deslocados, conseguiram animar uma parcela da platéia; provando mais uma vez que Metallica não é o Metallica por nada.

SETLIST

  • The Ecstasy of Gold (cover de Ennio Morricone)
  • Hardwired
  • Atlas, Rise!
  • For Whom the Bell Tolls
  • The Memory Remains
  • The Unforgiven
  • Now That We’re Dead
  • Moth Into Flame
  • Harvester of Sorrow
  • Halo on Fire
  • Anesthesia (Pulling Teeth)
  • Whiplash
  • Sad but True
  • One
  • Master of Puppets
  • Fade to Black
  • Seek & Destroy
  • Bis:
  • Battery
  • Nothing Else Matters
  • Enter Sandman

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