Em momentos assim, é preciso analisar dois lados, as partes boas e as partes ruins. Vamos começar pelo lado pior então: O mercado de quadrinhos nas comic shops dos Estados Unidos da América (Aquele que tem a DC e a Marvel como mandantes, mas com diversas outras editoras menores como IDW, Archie e Image) cresceu apenas 0,3% no anos de 2016, considerando o valor em dólares das vendas das editoras, como informou o ComiChron. Um resultado extremamente fraco para quem vinha crescendo de forma constante desde 2012 e pra quem tem ganhado diversas estreias no cinema baseadas em gibis.

Já no lado bom: O mercado de quadrinhos nos comic shops dos EUA movimentou US$ 580,91 milhões (EMOTICON DE ÓÓ). Sim, o crescimento foi baixíssimo, entretanto a movimentação gerada no retrasado já havia sido o melhor de muito tempo e teve toda a força que Star Wars deu, algo que acabou dando uma esvaziada nos últimos meses. Então se usar isso como forma de comparação, os resultados estão bons.

O que importa nisso tudo é que, agora, os quadrinhos continuam mantendo a curva para cima.

O transformou 2016 em um ano ímpar, foi a DC Comics. Ela começou mal, com resultados ruins do DC You, que não agradou o público e, principalmente, os chefões de comic shops. Mas logo no começo do ano a editora anunciou o Rebirth que buscou conceitos antigos e aplicou outros novos. Bem… Deu certo, a DC pode começar a respirar.

Até maio, quando foi anunciado Rebirth, o mercado de quadrinhos estava com uma queda acumulada em 5%,  grande parte pelos resultados ruins da DC. Em Junho já dava para começar a respirar um pouco, com a Marvel vendo a concorrente assumir a frente do market share em Julho. A maior jogada da DC, em todo o processo, foi baixar os valores das revistas mensais de US$ 3,99 para US$ 2,99. Assim, mesmo perdendo grana, o volume de vendas subiu bastante, o que acabou compensando.

Já na Casa das Ideias, aquele crossover em Civil War II começou bem, mas não vendeu como poderia. Mesmo assim, a editora continuou com um bom nível de vendas durante o resto do ano e, de forma geral foi a que mais vendeu.

Entretanto… 2016 ficou distante de ser um ano só de DC e Marvel.

Big Trouble In Big China - Escape From New York

Os 12 meses foram um ótimo momento, também, para os caixas da Loot Crate, que ajudou a movimentar o mercado de gibis – claro, o valor da unidade é menos, mas as editoras também ganham em volome. Por isso, a primeira edição do crossover Big Trouble in Little China/Escape From New York, da BOOM! Studios, foi a publicação MAIS vendida em 2016, com 421 mil exemplares no mês de lançamento. Em segundo ficou Civil War II #1, com 381 mil.

Bem… já que entramos nesse assunto e comentamos sobre esses dois, a lista dos cinco títulos best sellers do ano ficou bastante interessante, e bota bastante nisso: tem Harley Quinn #1 na terceita posição, mostrando a força do cinema e da personagem, seguida de Champions #1 e Batman #1.

Obviamente, entre esses títulos, as grandes editoras dão incentivos para os revendedores comprarem mais, como material de divulgação e a possibilidade de retornar um eventual encalhe, mas já tá provado que existe aí um “efeito Tostines”, com a disponibilidade maior de exemplares fomentando mais vendas para o público final.

A “Calda Longa” é outro fator que tem favorecido bastante o mercado, que é aquela lista de mais vendidos. Gente que fica nos últimos lugares, mas que, juntos, têm feito bons resultados. É aí, como exemplo, que a diversidade mais aparece, já que estamos falando de títulos cada vez mais segmentados.

Repare aí: em 2015, os gibis que estavam depois dos 300 mais vendidos mensalmente tiveram 8,88 milhões de cópias comercializadas. Em 2016, esse número foi pra 9,7 milhões – um crescimento de 10%, bem maior que o resto do mercado. Pra você ter uma ideia, o Top-300 nos 12 meses passados vendeu 89,35 milhões de exemplares, crescimento de 0,2%.

Bem… tudo isso ainda é apenas uma grande parte de todo esse quebra-cabeças que formam o mercado dos quadrinhos nos Estados Unidos. Enquanto o digital vem de uma queda em 2015 e não podemos esperar muita coisa de lá por agora, as vendas em livrarias tão no alto. De acordo com o Publisher’s Weekly, quadrinhos e graphic novels tiveram um crescimento de 12% nas livrarias em 2016 – isso contra os 3,3% de aumento dos livros. De acordo com estimativas do ComiChron e do ICV2, o ano retrasado tinha rendido US$ 350 milhões para as editoras de quadrinhos nas livrarias. Com esse crescimento, dá pra chegar aos US$ 392 milhões.

Números gerais de todos os mercados só devem surgir lá pela metade do anos, mas, se seguir assim, as editoras têm tudo para bater os lucros de 2015, que foi de US$ 1,03 bilhão. Nada mau, ein?

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