Os videogames são, atualmente, mais do que uma forma de entretenimento. Eles se tornaram uma indústria que, cada vez mais, tem atingido novos adeptos e proporções enormes no mercado e na geração de emprego mundialmente. A demanda por jogos eletrônicos aumenta bastante e supera, inclusive, a indústria cinematográfica. No fim do século passado, adolescentes achavam utópico ganhar dinheiro jogando vídeo-game, hoje os torneios e competições mundiais transformaram isso numa realidade.

Segundo o desenvolvedor de jogos, Bruno Cunha, graduado pela UFMG, trabalhar na área e no Brasil ainda é algo difícil, não por falta de bons profissionais, mas, principalmente, pela profissão ainda não ser regulamentada e por falta de trabalhos para o setor. Apesar do país ter um grande potencial no consumo de jogos, o número de empresas dedicadas a empreender na área ainda é relativamente pequeno.

“Estão surgindo novas empresas de games no mercado brasileiro, mas, muitas, iludidas com as histórias de pessoas que criaram um jogo e ficaram milionárias da noite para o dia. Só o mercado brasileiro de jogos movimentou 1,6 bilhão de dólares em 2016. Apesar de ser um mercado com boa rentabilidade, a média salarial é menor que em outras áreas de tecnologia”, pontuou Bruno.

Uma pesquisa feita pela NewZoo, empresa que analisa o mercado de jogos, abrangeu os consumidores de jogos em 11 países e concluiu que a América Latina se desenvolveu consideravelmente nos últimos anos, apesar de crises na economia, e se destacou como a segunda região de crescimento mais rápido em termos de geração de receita em todo o mundo. Com um aumento de 9% ao ano, seu mercado está em grande ascensão no momento.

Um estudo dessa mesma empresa sobre o uso de celulares provou que o console ainda é uma plataforma forte, porém, os celulares estão se tornando o maior segmento em termos de receitas na América Latina.  O Brasil é o líder do continente Sul-americano, com uma receita de US$ 1,5 bilhão e um total de 79,6 milhões de usuários de smartphones contabilizados neste ano.

A preferência dos usuários pela plataforma mobile é significativa.
(Foto: Divulgação)

Para Bruno, a praticidade da versão mobile seria o motivo da procura do público por essa plataforma. “A facilidade de acesso e a variedade de jogos são fatores que aumentam o interesse do público. Muitos dos jogos para smartphones são gratuitos. A maioria deles está disponível para Android, sistema operacional presente na maioria dos celulares brasileiros”, explicou.

O mercado para o consumidor

Um dos principais motivos para o crescimento do mercado de jogos digitais no Brasil é a mudança do perfil do jogador. O consumo não é realizado apenas por jovens do sexo masculino como foi nas décadas passadas, mas também por mulheres, crianças e idosos. As plataformas também mudaram e os smartphones permitiram que usuários de diferentes faixas etárias e perfis sociais tivessem acesso aos jogos digitais.

Os smartphones, talvez, tenham a maior variedade de jogadores por ser de fácil acesso. Já os jogadores de console e computador precisam investir dinheiro para comprar ou melhorar o equipamento. Um exemplo disso é que em smartphones e tablets, mulheres são a maioria, enquanto em consoles grande parte dos jogadores são homens”, sintetizou Bruno.

No último senso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), captado em 2014, sobre o mapeamento da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, o mercado movimentou US$ 448 milhões, em 2013, e foi projetada uma taxa de crescimento de 13,5% ao ano, totalizando US$ 844 milhões em 2018.

Policarpo Cordeiro, 25 anos, era gamer e interessou por jogos digitais desde os sete anos quando ganhou seu primeiro console. Tudo partiu da convivência com amigos e parentes que também jogavam por um momento de diversão e lazer. Atualmente, ele é especialista em MMORPG e observa que seu tempo é bem flexível, sendo que destina para jogar cerca de quatro a cinco horas diárias.

Já Raphael Vitoi, 24 anos, atualmente ganha a vida jogando e ensinando poker online. Ele se interessou pela modalidade com 13 anos e, aos 17, já participava de torneios entre amigos com frequência aos finais de semana. Segundo Raphael, o esporte lhe permitiu conhecer pessoas que o direcionaram para os primeiros aprendizados e estudos, atuando como guias. “Se não fossem as pessoas que eu conheci, provavelmente hoje eu não jogaria poker”, conta.

Sua rotina é 100% organizada em função do poker. Após dedicar-se integralmente à modalidade e tornar possível o retorno financeiro regular, trancou o curso de Psicologia, no 6º período, e se especializou na modalidade por meio cursos renomados na América Latina.

“Tento acordar cedo para tomar café e almoçar e meditar um pouco. Começo a jogar às 13h. Usualmente, vou até as 22h. Domingo, que é o dia mais importante para quem joga poker, acordo ainda mais cedo e vou ainda mais tarde, em geral”, resume Raphael.

Em média, é possível lucrar de R$2.000 a R$3.500 mensalmente, mas Raphael assegura que o poker demanda estudo, dedicação e disciplina. Segundo ele, existe uma teoria complexa que ajuda a ditar a lucratividade e, por isso, é necessário o conhecimento e experiência para tornar possível o ato de jogar não apenas o poker, mas quaisquer jogos online em geral e transformá-los em uma profissão rentável.

Quando questionado se a atividade poderia ser algo momentâneo, Raphael afirma que quer dar continuidade com essa prática até quando for possível. “É algo que me agrada, que me dá prazer e me incentiva a continuar evoluindo. Além de tudo, é lucrativa e confortável. Posso fazer meus próprios horários e sou o meu próprio chefe. Posso trabalhar em casa, no meu próprio computador”, finalizou.

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