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“Vem para o Brasil?” O Oscar pode ser

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Os fandoms proliferaram on-line na casa dos dois mil no Brasil, disse Amado, quando o país adotou a rede social Orkut, de propriedade do Google, permitindo que até mesmo partes remotas do país se conectassem através da cultura pop; A própria Amado era grande na comunidade dos Jonas Brothers. Como o Orkut estava confinado principalmente ao Brasil, não era particularmente útil para contatar celebridades, mas seu isolamento gerou uma cultura de fãs espirituosa que explodiu no Tumblr, no Facebook e no Twitter. Os usuários agora estão bem familiarizados com a mobilização de uma multidão nas redes sociais: em 2020, a versão brasileira do “Big Brother” quebrou o recorde mundial pelos votos recebidos por um programa de TV, em um bilhão e meio. “As pessoas realmente aprenderam a usar as ferramentas digitais para impulsionar os participantes”, disse Amado. “Portanto, já sabemos como cancelar um dos participantes e impulsionar outro, e estamos usando a mesma tática no Oscar neste momento.”

A saga Gascón foi apenas o começo. No mês passado, Oliver Laxe, o diretor francês galego do “Sirāt”, criticou os “ultranacionalistas” brasileiros na Academia, dizendo: “Se os brasileiros apresentassem um sapato, todos votariam nele”. Os brasileiros inundaram a página do Instagram de Laxe com emojis de sapatos. Mas Amado achou que essa resposta foi relativamente discreta: “Podemos perceber quando as pessoas só querem engajamento usando-nos. O filme dele não é tão grande e ele quer usar o poder online brasileiro para criar algum momento para ele”. Timothée Chalamet, que compete com Moura pelo prêmio de Melhor Ator, evitou sabiamente uma briga; em dezembro, promoveu “Marty Supreme” na convenção da CCXP, em São Paulo, e embrulhou-se em uma bandeira brasileira feita por um leque com seu rosto estampado.

O sucesso mundial de “O Agente Secreto” começou em maio passado, quando estreou em Cannes. Tanto Moura quanto Mendonça ganharam prêmios, e a Neon escolheu o filme para distribuição na América do Norte. “Na maioria dos casos, os cineastas latino-americanos precisam ir à Europa e à América do Norte para obter validação, a fim de serem importados de volta para casa”, disse-me Carlos Gutiérrez, que dirige o Cinema Tropical, um apresentador de filmes latino-americanos com sede em Nova York. “Existe todo um sistema de festivais que faz parte de um sistema geopolítico tradicionalmente muito eurocêntrico. É por isso que acho que os brasileiros estão comemorando tanto, porque não é muito comum ter filmes consecutivos que são celebrados tanto em festivais europeus quanto no Oscar.”

Esse anseio por reconhecimento internacional tem raízes profundas. Em 1950, após o Brasil sofrer uma derrota traumática para o Uruguai na Copa do Mundo (conhecida como Smash do Maracanã), o escritor brasileiro Nelson Rodrigues cunhou o termo complexo de vira-lataou “complexo vira-lata”, para explicar o persistente sentimento de inferioridade pós-colonial do país. Essa autoimagem de uma nação de vira-latas perdidos (vira-lata significa literalmente “can-flipper”), disse-me Amado, levou a uma fome de validação do exterior: “Nós sempre olhamos para os EUA e para a Europa, e nos desvalorizamos”. Em 2014, o choque do Smash Maracanã pareceu se repetir, quando o Brasil perdeu na semifinal para a Alemanha por 7 a 1 – nada menos que em território brasileiro. “Isso matou a autoestima do brasileiro”, me disse Teixeira, o produtor. O país entrou em pânico. A humilhação do futebol coincidiu com uma crise económica que interrompeu anos de crescimento e com uma crise política que resultou no impeachment da Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, em 2016.

Quando Jair Bolsonaro posteriormente conquistou a Presidência, em 2018, em uma MAGAAo estilo da mensagem populista de direita, um dos seus alvos eram as artes, incluindo o cinema. “Foi uma crise grande, o primeiro ano em que Bolsonaro esteve no poder”, lembrou Ilda Santiago, do Festival do Rio. “Basicamente tivemos que fazer crowdfunding.” Antes de ser eleito, o cinema brasileiro já ganhava força internacional. Em 1999, “Estação Central” de Salles foi indicado ao Oscar na categoria filme estrangeiro e de Melhor Atriz (para Fernanda Montenegro, que é mãe de Fernanda Torres). Cinco anos depois, “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, recebeu quatro indicações, incluindo Melhor Diretor. Sob Bolsonaro, o financiamento estatal secou e o governo pintou os artistas como aproveitadores, desperdiçando o dinheiro dos contribuintes.

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