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Split Screen adquire o documentário brasileiro de Eliza Capai, ‘The Fabulous Time Machine’, antes da estreia em Berlim (EXCLUSIVO)

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A empresa de vendas Split Screen adquiriu os direitos de “The Fabulous Time Machine” de Eliza Capai antes de sua estreia mundial na Berlinale na Geração KPlus. O documentário, ambientado no sertão brasileiro, acompanha um grupo de meninas cujo futuro difere muito da vida difícil que suas mães levaram na região miserável.

A Split Screen adquiriu os direitos mundiais do filme, excluindo o Brasil.

Capai começou a pensar em fazer “A Fabulosa Máquina do Tempo” em 2013, quando visitou Guaribas pela primeira vez. Anteriormente conhecida como “capital da fome no Brasil”, o município do Piauí era a cidade mais pobre do país, com moradores lutando para ter acesso a recursos básicos, como água potável e alimentos. Há duas décadas, porém, o primeiro governo do presidente Lula escolheu a cidade como campo de testes para o programa Fome Zero (“Fome Zero”), que visava erradicar a fome no Brasil. Logo depois, Guaribas também se tornou uma cidade piloto para mais uma iniciativa bem-sucedida de Lula, o Bolsa Família, um programa que fornecia ajuda financeira a famílias brasileiras pobres, desde que seus filhos frequentassem a escola e fossem vacinados.

O Bolsa Família mudou muito o Brasil, mas mais ainda os Guaribas. Durante a sua primeira visita, Capai conheceu jovens “com rostos rechonchudos” que podiam brincar livremente nas ruas, uma realidade muito diferente da das suas mães ainda jovens. As vidas da geração anterior assemelhavam-se muito mais ao nefasto passado de escravatura do Brasil, com mulheres casadas jovens com maridos muitas vezes violentos e lutando para sobreviver numa região onde a comida era escassa e o trabalho ainda mais escasso.

Falando com Variedade antes do festival, Capai lembra-se de ter ficado “profundamente comovido com as mudanças que estavam acontecendo na comunidade”. “Tudo isso aconteceu por causa do Bolsa Família, porque a principal condição do benefício é que as crianças frequentem a escola. Fiquei muito surpreso ao ver como a vida dessas meninas era diferente da vida de suas mães ainda jovens. Fiquei decidida a voltar para a comunidade e acompanhar esse processo.”

Capai visitou Guaribas duas vezes antes das filmagens do filme, conquistando a confiança da comunidade. A diretora permitiu que as meninas filmassem a intimidade de suas casas e brincassem no mundo, ao mesmo tempo em que estava muito consciente de sua responsabilidade como cineasta com acesso direto a temas jovens. “Conversamos longamente com as famílias sobre o filme e sobre o que seria. Sentimos uma grande responsabilidade para com as crianças, não só fisicamente nas filmagens, mas também em saber o que deixar de fora do filme, já que as crianças dirão o que vierem à mente. Foi um processo demorado no set, mas também durante a edição.”

Cortesia de tela dividida

Capai diz que a estreia do filme em Berlim foi uma “obsessão pessoal”. “Era um desejo pessoal, mas também político, porque queria que o filme estreasse num festival político.” O diretor acrescenta que a estreia será “poderosa”, visto que a equipe do filme trará as jovens estrelas do filme para a capital alemã. “Elas viajarão internacionalmente pela primeira vez com suas mães. Será um momento simbólico para essas meninas cujas mães cresceram na miséria.”

Lorena Morin, da Split Screen, disse Variedade viu o filme pela primeira vez em setembro, enquanto participava do florescente encontro de coprodução Brasil Cinemundi em Belo Horizonte. “Nos apaixonamos à primeira vista. Saímos do local com o coração emocionado pelo universo mágico que as meninas Guaribas e Eliza criaram para nos deixar entrar em seus sonhos, esperanças e anseios. Pouco depois do Dok Leipzig, onde o filme foi novamente apresentado, começamos a trabalhar com a equipe”.

Comentando sobre o atual momento internacional espetacular do cinema brasileiro – impulsionado no domingo com vitórias históricas no Globo de Ouro para Wagner Moura e “O Agente Secreto” – Capai diz que é “muito especial” fazer parte disso. “Ver filmes como ‘O Agente Secreto’, ‘A Trilha Azul’ e ‘Manas’ falarem sobre as complexidades do nosso país e serem elogiados internacionalmente é muito poderoso. Ao mesmo tempo, precisamos de políticas públicas muito mais fortes para que a nossa indústria audiovisual possa continuar a prosperar.”

“O governo precisa entender que nosso setor é uma indústria maior que a indústria automotiva no Brasil. Precisamos de políticas constantes e estáveis ​​para o setor audiovisual no país. É ótimo ver o que está acontecendo internacionalmente com nossos filmes neste momento, mas também estou preocupado com a falta de leis e políticas públicas que garantam que a indústria continuará a crescer. O Brasil deveria investir no cinema como uma ferramenta de soberania cultural.”

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