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O longo ‘Late Show’ de Stephen Colbert, adeus, passou da resistência à viagem do ego

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No início desta semana, o ator John Lithgow apareceu no “The Late Show With Stephen Colbert” e fez algo que os convidados do programa têm feito muito ultimamente: ele prestou uma extensa homenagem ao apresentador.

Lithgow ficou tão preocupado com a ideia de que Colbert deixaria a CBS depois de 10 anos em maio – um cancelamento que dá a impressão de que a nova liderança da Paramount está tentando agradar o governo Trump – que escreveu um poema. Lendo esta odeintitulado “O Poderoso Colbert”, Lithgow homenageou as “obras-primas sublimes” que são os monólogos de Colbert e perguntou: “Então, por que ele foi cancelado? Por que jogar fora todo esse prazer? Por que arrancar do ar este amado tesouro nacional?” (A resposta, no verso de Lithgow, foi “um chefe com pele fina e sem riso”.) O apresentador do programa sentou-se sorrindo enquanto Lithgow falava cada vez mais, declarando a certa altura que Colbert, nos próximos anos, “só vai melhorar, como envelhecer um bom vinho”.

Mas a esta altura de seu mandato, Colbert provavelmente está acostumado a bajulação interminável de seus convidados! Bette Midler, que se apresentou em Episódio final de Johnny Carsoncantou um reescrita satírica de “Wind Beneath My Wings” em homenagem a Colbert, rimando “Você defende o que é certo com inteligência e classe” com “Você nunca beijou a bunda laranja”. Drew Barrymore reencenou ela famoso strip-tease na iteração de David Letterman de “The Late Show”, desta vez tirando um blazer para revelar uma camisa estampada com “Nós [Heart] Estêvão.” (Infelizmente, tanto Midler quanto Barrymore criando novas versões de seus lendários momentos noturnos apenas lembram ao espectador o quanto o formato costumava ter mais energia.) E Jimmy Fallon fez um cover de “My Way” de Frank Sinatra com novas letras sobre – bem, adivinha quem? “Em 28, você teria o nosso voto – você fez do seu jeito”, concluiu a música.

A retirada de Colbert do ar, quando foi anunciada em julho passado, foi uma notícia legitimamente sísmica, para a indústria e para um público que o via como uma voz crucial para a Resistência anti-Trump desde as eleições de 2016. O momento da notícia, porém, significou que Colbert teve uma temporada final inteira para ser disputada com todas as partes, desde escritores e produtores até anfitriões e convidados, sabendo que o fim estava próximo. (Isso o diferencia do breve período em que o trabalho do apresentador do “Tonight Show”, Conan O’Brien, estava no limbo durante a crise de sucessão de O’Brien-Jay Leno – então, a precariedade e a incerteza da situação deram ao programa uma tensão e voltagem incríveis.)

O que acabou indo ao ar foi uma homenagem cada vez mais exagerada ao apresentador do programa. Os intermináveis ​​​​buquês jogados na direção de Colbert começaram a deixar o estúdio com um cheiro um pouco enjoativo.

É verdade que esses são os convidados de Colbert tendo uma resposta emocional a um apresentador que gostaram de ser removido do ar, e no que parece ser uma forma injusta, para provar a boa fé trumpista do novo CEO da Paramount, David Ellison, em meio à fusão Skydance-Paramount. Isso nos lembra quantas outras instituições estão desmoronando neste momento – universidades, escritórios de advocacia, para não falar das corporações da indústria do entretenimento. Mas o foco do programa no infortúnio do seu próprio apresentador tornou-se descomunal e um pouco dramático, especialmente porque tantas outras instituições estão em crise: com tudo o que está acontecendo no mundo, temos que passar por uma celebração de meses de vida para um comediante cujo trabalho está chegando ao fim?

Esse tom vem necessariamente de cima. Os convidados geralmente não aparecem apenas em talk shows e fazem espontaneamente o que querem; suas aparições são coreografadas em conjunto com a equipe de produção do show. Em uma pré-entrevista, um produtor poderia ter gentilmente orientado Lithgow para longe de criar o espetáculo de forçar Colbert a sentar e sorrir enquanto era chamado de “tesouro nacional”, visto que ele já foi homenageado diversas vezes?

Assistindo ao show, porém, não se tem a sensação de que Colbert realmente se importa. Num pequeno e revelador momento de sua entrevista de Jimmy Kimmel – outro apresentador que enfrentou repercussões e consequências na carreira por irritar Trump – Colbert perguntou de quem Kimmel ouviu falar quando foi divulgada a notícia de sua retirada do ar. Antes de esperar pela resposta de Kimmel, Colbert disse com entusiasmo que ele próprio, após o cancelamento, recebeu mensagens de James Taylor e George RR Martin. Sua raiva com a CBS, que surgiu durante o estranho incidente em que a entrevista do candidato ao Senado do Texas, James Talarico, foi retirada do ar, é pelo menos mais interessante do que sua consciência cada vez maior de quantas de suas colegas celebridades o amam.

A causa de defender um comediante que pode ter sido deixado de lado por irritar o regime está em homenagear Colbert, a celebridade, e está começando a parecer cansativo. Colbert merecia um tratamento melhor da CBS, mas assistir uma pessoa sorrir enquanto recebe louro após louro não justifica a relevância de seu programa, já que francamente não é uma TV muito boa e – para este apresentador implacavelmente político – não está em contato com as preocupações das pessoas que têm recorrido ao “The Late Show” por sua perspectiva política.

Finalmente, há o ângulo totalmente pragmático. Colbert terá um próximo ato, em algum momento futuro. (Para aqueles que acham que ele é muito tóxico para qualquer empresa que possa ter negócios perante o Departamento de Justiça de Trump tocar – bem, os mandatos presidenciais duram quatro anos, já passamos por um, e Colbert está apenas com 60 e poucos anos.) Quando esse dia chegar, não parecerá um anticlímax, depois de já termos passado a maior parte do ano celebrando-o?

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