O grande streamer brasileiro Globoplay trabalhou extensivamente nos últimos cinco anos para solidificar sua presença internacional em uma tentativa de alcançar o que poucos conseguiram: criar conteúdo local da América do Sul que não apenas ressoe globalmente, mas também gere impacto tangível nos mercados e eventos internacionais. O streamer teve uma série original exibida no Berlinale Series Market nos últimos três anos e, no início desta semana, ganhou o cobiçado prêmio Studio Babelsberg Production Excellence por “Emergency 53”.
O prêmio recém-introduzido é significativo para os esforços de internacionalização do Globoplay, uma vez que homenageia projetos criativos de destaque que combinam ambição artística com potencial internacional. “Emergência 53” vem da mesma equipe criativa da série processual de grande sucesso “Sob Pressão” da Globoplay, Andrucha Waddington e Cláudio Torres, além do criador e consultor Márcio Maranhão. A série, com lançamento previsto para este ano, acompanha um grupo de médicos, enfermeiros e motoristas de uma unidade especial de atendimento móvel enquanto navegam por dramas pessoais e profissionais. “Emergency 53” é produzido pela principal bandeira Conspiração de Torres e Waddington.
Em sua declaração, o júri do Berlinale Series Market responsável por escolher o vencedor do primeiro Prêmio de Excelência de Produção do Studio Babelsberg disse que a série “se distinguiu por uma compreensão confiante da forma processual, um jovem protagonista atraente e um conjunto diversificado, rico em potencial emocional e narrativo”.
“Seu cenário é uma das maiores conquistas da série: um ambiente vibrante e complexo retratado não como pano de fundo, mas como uma força ativa que molda a narrativa”, continuou o comunicado. “Essa especificidade confere ao programa textura e relevância social, elevando-o além das convenções de pronto-socorro ou procedimentos policiais. Seu cenário – raramente visto em dramas convencionais de alta produção – dá à série substância, urgência e profundidade social. É ambicioso, novo e profundamente enraizado no mundo que retrata.”
Alex Medeiros, head de conteúdo e ficção da Globoplay e Globo Filmes contou Variedade ele e sua equipe estão “incrivelmente orgulhosos de receber este prêmio, que não apenas reconhece o talento artístico da série, mas também reafirma o poder das histórias essencialmente brasileiras de ressoar com o público em todo o mundo”. O executivo acrescenta que “parece haver um grande impulso latino-americano no cinema e na televisão internacionais, e estamos honrados em fazer parte disso”.
Tanja Meissner, diretora do Berlinale Pro, acrescentou que ela e sua equipe estão “encantadas com a primeira colaboração bem-sucedida com o Studio Babelsberg”. “O evento conjunto foi um grande sucesso – com vencedores surpresos e feedback muito positivo. Esta experiência nos deixa otimistas, e esperamos continuar esta parceria promissora no futuro para promover ainda mais séries de roteiro globais excepcionais e estabelecer novos padrões criativos juntos.”
Sob pressão
Globo
Waddington enfatizou seu desejo de compartilhar a homenagem não apenas com sua equipe, mas também com “todos os profissionais de saúde públicos brasileiros”. Falando com Variedade antes da primeira exibição da série em Berlim, o diretor destacou como o projeto parece profundamente específico para uma área específica do sistema de saúde brasileiro, ao mesmo tempo que mantém um elemento vital de universalidade na forma como aborda a desigualdade de classes – ao mesmo tempo que evita as possíveis armadilhas da fórmula.
“A Globoplay realmente confiou em nós quando lançamos o projeto”, disse ele. “Ficamos um pouco inseguros no início. Hoje, assistindo todos os 10 episódios, acreditamos firmemente no formato. O público gostava de ser estimulado e não deveríamos subestimar os espectadores. Com ‘Emergency 53’, abordamos grandes questões sociais sem nos repetirmos a cada episódio.”
Torres acrescentou que é “maravilhoso” ser um trabalho criativo em um cenário internacional que é muito mais aberto a projetos de diferentes países e culturas, citando o divisor de águas que ganhou o Oscar de melhor filme por “Parasita”, de Bong Joon-ho, em 2019. “Hoje em dia, você vê jovens assistindo histórias enraizadas na realidade da Coreia do Sul, Suécia, Islândia… Acho que o Brasil tem muito a oferecer porque é um país paradoxal, e esse mesmo paradoxo é a base da nossa série.”













