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Crítica de ‘Tow’: Rose Byrne toca outra pílula carismática – uma mulher sem-teto de Seattle lutando para recuperar seu carro

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A pergunta “Marty Supreme” que envelheceu em cerca de cinco minutos – era o personagem-título simpático suficiente? – nem deveria ser permitido ficar na mesma sala que Rose Byrne. Da esposa do chefe irritantemente sofisticada e “perfeita” em “Damas de Honra” à mãe miserável que se torna cosmicamente descolada em “Se eu tivesse pernas, chutaria você”, ela fez uma carreira interpretando personagens que são arrogantes e irritadiços, glamorosamente difíceis e difíceis de aconchegar. Mas isso faz parte de seu entusiasmo como atriz. Quem iria querer que Rose Byrne lhe desse carinhos calorosos? (Embora eu aposte que se você a escalasse para uma novela de Colleen Hoover, ela acertaria.) “Tow” é um indie menor que nem sempre faz os movimentos certos, mas Byrne agarra sua personagem e transforma a questão de saber se você gosta dela ou não no motor dramático do filme.

No começo, não gostamos nada dela. Depois de um tempo, ainda não sabemos (muito), mas nos encontramos nos conectando com algo nela que transcende a simpatia – sua humanidade. Isso é alquimia de atuação.

“Tow” é uma longa anedota baseada em uma história real, e quando você vê o filme você pode pensar: Por que eles não inventaram isso? Byrne interpreta Amanda Ogle (pronuncia-se Oh-gle), que mora em seu carro em Seattle. É um Toyota Camry azul ardósia de 1991, surrado, mas o veículo não é apenas a casa dela; é seu único amigo. Ela fala ao telefone com sua filha adolescente em Utah (interpretada por Elsie Fisher, que foi incrível em “Oitava Série”), mas essa é sua única conexão, e está por um fio. Nunca ouvimos a história completa de como ela chegou onde está.

Mas a Amanda presença nos diz tudo o que precisamos saber. O cabelo loiro com franja, preso em um lenço rosa estampado com uma flor de plástico enfiada, a jaqueta de couro e grandes óculos escuros rosa escuro, a carranca de desafio que é quase parte do visual – é tudo um pouco punk de brechó, e sua atitude também. (Ela tem a aura de alguém que era um punk e ainda está tentando descobrir como envelhecer até a idade adulta.) Amanda ataca todo mundo, mas Byrne tem uma mente tão rápida que estamos atentos a seus insultos e piadas apocalípticas. Sua invectiva nos anima.

O filme é simples assim: o carro de Amanda é roubado e recuperado no dia seguinte, mas está sendo mantido em um estacionamento comercial – Kaplan Towing – que cobra US$ 273 antes que ela possa levá-lo embora. Para Amanda, isso poderia muito bem custar US$ 273 mil. Ela é uma técnica veterinária que finalmente conseguiu um emprego em um consultório veterinário, onde deveria fazer coletas. Mas ela não pode fazer o trabalho sem o carro e não pode pegar o carro sem o trabalho. O filme é sobre como ela passa um ano inteiro vivendo como uma sem-teto tentando recuperar seu Toyota ruim.

Ela fica em um abrigo para moradores de rua de uma igreja, com reuniões adjacentes de 12 etapas, todo o lugar supervisionado por Barbara, interpretada por Octavia Spencer com uma crueldade compassiva perfeita. Amanda então leva seu caso contra Kaplan Towing ao tribunal, atuando como sua própria advogada, e ganha o caso! – mas quando ela volta triunfante ao estacionamento, descobre que já venderam seu carro em leilão. Ela conhece um advogado sem fins lucrativos, Kevin (Dominic Sessa), que é um geek santo, e eles passam meses trabalhando no caso. Ela é agredida pela sociopata residente do abrigo para moradores de rua (Lea Delaria, que é fascinante) e conhece camaradas como a doce Nova (Demi Lovato) e a combativa Denise (Ariana DeBose), que é tão difícil quanto Amanda.

Ficamos sabendo que Amanda é uma alcoólatra em recuperação (sete meses sóbria) que bebeu pela primeira vez aos 11 anos (em reação, sugere o filme, ao fato de ter sido abusada pelo pai quando tinha 10 anos). Mas, em vez de preencher o seu lento deslizamento para a vadiagem no estacionamento, o que o filme deixa sem dizer é que quaisquer problemas que ela teve foram levados ao limite por uma economia impossível – que se combinou, de alguma forma, com a sua personalidade impossível. O (menor) ponto forte de “Tow” é que ele não pede desculpas a Amanda, nunca finge que ela é uma pessoa funcional. No entanto, isso nos mostra seu coração imperfeito. Se o filme tem uma mensagem é que os idiotas que perderam tudo também são pessoas. Especialmente quando lutam contra o sistema.

Eu só queria que o enredo se transformasse em alguma coisa. Gosto de filmes anedóticos, mas o fato de Amanda passar um ano trabalhando para recuperar seu carro e, pelo que podemos dizer, fazer pouco mais, começa a fazer com que esse desorganizado “Cândido” da burocracia municipal pareça estar funcionando perfeitamente. O carro de Amanda é mais que o carro dela; é a dignidade dela. Mas o filme nunca dá o salto para ver que pensar dessa forma pode ser parte do problema.

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