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Crítica de ‘The Cord’: um verdadeiro herói para nossos tempos no retrato compassivo de Nolwenn Hervé

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Às vezes, tudo que um documentário precisa para deixar uma impressão duradoura é um protagonista da força da natureza em seu centro. Foi exatamente com isso que o cineasta Nolwenn Hervé teve sorte em “The Cord”. Ela encontrou Carolina, uma organizadora comunitária e uma feroz defensora da saúde das mulheres na Venezuela. Identificada apenas pelo seu primeiro nome para proteger a sua identidade e segurança dentro de um regime autoritário, Carolina tem a missão de garantir que as mulheres da sua comunidade recebam cuidados durante a gravidez e durante o parto. Com esta protagonista corajosa e ousada assumindo a liderança, “The Cord” consegue ser tão caloroso, apaixonado e propulsor em sua missão quanto Carolina, uma heroína da vida real dos nossos tempos.

Devido ao sistema de saúde falido da Venezuela, dar à luz tornou-se uma ameaça à vida. As mulheres não são internadas em hospitais até que reúnam por conta própria todos os equipamentos médicos e medicamentos necessários. É aqui que Carolina entra em cena. Conduzida por Maracaibo por sua amiga e ajudante Yanni, ela coleta o que é necessário usando uma mistura de mendicância, subornos e sua rede de pessoas que podem ajudar. Ela passa a maior parte do tempo no carro transportando as mulheres que ajuda, de suas casas às farmácias, aos hospitais e vice-versa. Ela negocia com a equipe do hospital, acalma as mulheres com humor e otimismo. Ela sabe perceber quando as coisas estão erradas, protegendo e aconselhando assim as mulheres que podem ser abusadas por seus parceiros.

Carolina não é apenas uma benfeitora. Ela é uma mulher complexa com um passado do qual se arrepende, um presente agitado e que espera um futuro brilhante. Ela costumava ser uma gangster, mas está angustiada com sua vida violenta anterior e está tentando expiar isso. Ela tem duas filhas pequenas, uma das quais está grávida enquanto o pai do seu bebé luta por uma vida melhor nos EUA. A sua fé mantém-na com os pés no chão. Ela está estudando para se tornar parteira para poder ajudar ainda mais de forma prática. Hervé consegue captar todas essas diferentes facetas desta fascinante protagonista com sensibilidade e cuidado, ao mesmo tempo que permite que ela seja humana; graça, fraquezas e tudo.

A câmera compassiva de Hervé também mostra como Carolina se movimenta em sua comunidade. Ela está sempre entre as pessoas, principalmente outras mulheres. Desde um salão de cabeleireiro improvisado que também funciona como estúdio de dança, passando por um concurso de beleza para meninas, passando pelas inúmeras casas que visita, Hervé a acompanha com atenção precisa. Carolina nunca para e sempre pensa em diferentes maneiras de ajudar – como distribuir anticoncepcionais para mulheres que já deram à luz várias vezes, convencendo-as a proteger sua saúde, ou organizar um protesto contra o hospital onde os funcionários recusaram atendimento. Entre tudo isso, há fofoca, diversão e alegria em suas diversas interações. Ela está entusiasmada por ser avó e seu relacionamento afetuoso com as filhas tem tempo para respirar. Porém, a cineasta não está apenas captando acontecimentos, mas sim captando a essência e os sentimentos de Carolina.

Cinematograficamente, “The Cord” pode parecer convencional. No entanto, o uso dos métodos familiares do documentário, como a narração, parece mais urgente e íntimo. Carolina é mostrada sentada sozinha à beira do lago enquanto conta sua vida anterior em narração. Mais do que apenas contar uma história, sua voz embarga com uma emoção calorosa. Nas cenas em casa com a filha, a câmera de Hervé nunca parece intrusiva. A interação entre eles flui naturalmente, como se nenhuma câmera estivesse presente. “The Cord” encontrou um herói inspirador em Carolina. Em troca, ela dá ao público um exemplo para imitar e aspirar a ser. O filme e o protagonista estão em completa sincronia e vão conquistar corações em todos os lugares.

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