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As indicações ao Oscar de 2026 e o ​​que deveria ter sido escolhido

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Wes Anderson (“O Esquema Fenício”)

Ryan Coogler (“Pecadores”)

Kleber Mendonça Filho (“O Agente Secreto”)

Josh Safdie (“Marty Supremo”)

Primeiro, o padrão legalmente exigido: por definição, o melhor filme do ano é aquele que foi melhor dirigido. No ano passado, defendi a separação das duas homenagens pelo prazer de espalhar o amor e os prêmios entre dois filmes diferentes, dois cineastas diferentes. Esta política herética recebe algum apoio de outra convenção rígida, a dos créditos, que separa diretores de roteiristas. Ainda assim, este ano, a maioria dos meus filmes favoritos são obras de hifenizados – diretores que também escreveram, ou co-escreveram, os roteiros – e por isso é necessário algum trabalho analítico e apreciação poética para isolar a arte de dirigir nos melhores filmes do ano.

Ryan Coogler, como criador de “Sinners”, é, de uma forma geral, o melhor diretor do ano. Por outro lado, “The Mastermind” é um tipo diferente de filme, intimamente dimensionado mesmo em suas cenas de ação, com poucos efeitos digitais e muitos planos longos em cenários próximos. Durante todo o filme, sua diretora, Kelly Reichardt, transforma cenas do tipo que tantas vezes são filmadas em um estilo neutro, produzindo um mero registro da ação roteirizada, em interações finamente calibradas e mercurialmente complexas – mesmo para um único personagem sozinho em uma escada ou manuseando uma caixa cheia de pinturas. Ao fazê-lo, ela incorpora a ideia de direção como criação imediata no set, alcançada através das ferramentas básicas do cinema, uma ideia que é aqui exaltada e revitalizada.


Atuação: Performance de um ator em um papel principal

Michael B. Jordan (“Pecadores”)

Timothée Chalamet (“Marty Supremo”)

Wagner Moura (“O Agente Secreto”)

Josh O’Connor (“O Cérebro”)

Denzel Washington (“Os 2 Mais Baixos”)

As categorias de atuação são, de certa forma, dolorosas de escrever, partindo da premissa de que basicamente não existem maus atores, apenas maus diretores. A pergunta é frequentemente feita: mas os atores não têm agência? Evitando a tentação de responder: “Não, geralmente apenas um agente”, eu diria que, se uma determinada atuação suscita seriamente essa questão, então a resposta séria deve ser “Ou muito ou pouco”. Isso geralmente acontece quando um ator parece excessivamente controlado ou insuficientemente guiado – seja fechado ou desequilibrado. Com ótimas atuações, os resultados comprovam o mérito da realização do filme – e o equilíbrio da relação diretor-ator.

Bastante diferentes e suficientemente semelhantes: assim são as duas atuações de Michael B. Jordan como os gêmeos em “Sinners”, que mostram uma delicada calibração da força física e mental de cada personagem. Ele responde a muito mais do que os eventos em questão, sempre sintonizado com o passado dos personagens, com o mundo perigosamente pressurizado ao seu redor e com suas visões do futuro. É uma demonstração extraordinária de pensamento em ação – e é esse fator expressivo que o coloca um pouco acima de Josh O’Connor em “The Mastermind”. Lá, a sutileza física e a queima lenta da comédia e da tragédia são incorporadas à direção perspicaz de Kelly Reichardt, mas o espectro mais amplo de experiência do personagem é filtrado do roteiro (o preço do refinamento), o que mantém o desempenho de O’Connor dentro de limites mais estreitos do que o de Jordan em “Sinners”.

Denzel Washington está, na vida real, no topo da indústria cinematográfica, exatamente como seu personagem em “Highest 2 Lowest” está no topo do mundo da música, e ele infunde no papel um senso imaginativo de arrogância e comando, o que torna a vacilação do império do personagem ainda mais comovente. (Também acrescenta um elemento de ambiguidade, até mesmo de ambivalência, ao novo final do filme.) No entanto, estranhamente, a atuação mais estrelada deste ano é também, por definição, mais elusiva – a de Wagner Moura, em “O Agente Secreto”, no papel de um homem em fuga que é forçado a mudar de identidade para se manter um passo à frente das autoridades ditatoriais brasileiras. Com efeito, o papel é o de ator, e o carisma de Moura e o de seu personagem convergem. Isto cria ao mesmo tempo uma enorme empatia e (porque, onde quer que esteja, ele se destaca) um enorme perigo. O holofote que vem de dentro é forte demais para ser diminuído. Moura preenche o quadro e sai dele assim como seu personagem sai de seu meio imediato para a história.

Dói-me não ter uma sexta vaga para Ethan Hawke, por sua encarnação autotransformadora e modesta do letrista Lorenz Hart, em “Blue Moon”. Ele parece não desempenhar o papel, mas canalizar Hart. Por outro lado, apesar da resistência que senti até à data às performances do prodigioso Timothée Chalamet, a sua participação em “Marty Supreme” é surpreendente e inspirada, porque sublima a habitual avidez do seu estilo em substância. Chalamet tem sido apropriadamente ambicioso sob seu charme infantil de teatro, e este é o primeiro filme em que ele transmite a fome das preocupações dos adultos, por mais imaturo e imprudente que seja o personagem que interpreta. Ainda assim, a ação nunca desacelera o suficiente para permitir ao protagonista – ou ao ator – um momento de reflexão.


Atuação: Performance de uma atriz em um papel principal

Tessa Thompson (“Hedda”)

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