Por Andrew Osborn e Mrinmay Dey
MOSCOU (Reuters) – O aplicativo de mensagens norte-americano WhatsApp, de propriedade da Meta Platforms, acusou autoridades russas nesta quinta-feira de tentar bloquear totalmente seu serviço para “conduzir os russos a um aplicativo estatal, que alegou ser usado para vigilância”.
“Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de comunicações privadas e seguras é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”, afirmou o WhatsApp em comunicado.
“Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados.”
Alguns nomes de domínio associados ao WhatsApp desapareceram na quinta-feira do registro nacional de nomes de domínio da Rússia, o que significa que os dispositivos dentro da Rússia pararam de receber seus endereços IP do aplicativo e que ele só poderia ser acessado usando um rede privada virtual (VPN).
Roskomnadzor, o regulador estatal de comunicações, e o Kremlin não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
RESTRIÇÕES NO WHATSAPP
Roskomnadzor começou a restringir o WhatsApp e outros serviços de mensagens em agosto, tornando impossível completar chamadas telefônicas neles, acusando as plataformas estrangeiras de não compartilharem informações com as autoridades em casos de fraude e terrorismo.
Afirmou em dezembro que estava tomando novas medidas para restringir gradualmente o aplicativo, que acusou de continuar a violar a lei russa e de ser uma plataforma usada “para organizar e realizar atos terroristas no território do país, para recrutar seus perpetradores e para cometer fraudes e outros crimes”.
Desde então, muitos russos só conseguiram usar o WhatsApp em conjunto com uma rede privada virtual e passaram a usar aplicativos de mensagens rivais, embora alguns deles – como o Telegram – também estejam sob pressão das autoridades pelos mesmos motivos.
Num vídeo publicado pela agência de notícias estatal TASS na quarta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que havia “uma possibilidade de chegar a um acordo se a Meta entrasse em diálogo com as autoridades russas e cumprisse a lei”.
“Se a corporação (Meta) mantiver uma posição intransigente e, eu diria, se mostrar despreparada para se alinhar com a legislação russa, então não há nenhuma chance”, disse Peskov.
As autoridades russas, que também bloqueiam ou restringem plataformas de redes sociais como Snapchat, Facebook, Instagram e YouTube, estão a promover fortemente uma aplicação de mensagens apoiada pelo Estado chamada MAX, que os críticos dizem que poderia ser usada para rastrear utilizadores.
As autoridades rejeitaram essas acusações como falsas e dizem que o MAX, que integra vários serviços relacionados com o governo, foi concebido para simplificar e melhorar a vida quotidiana dos cidadãos.
(Reportagem de Mrinmay Dey na Cidade do México, Chandni Shah em Bengaluru, Gleb Stolyarov, Ron Popeski, Andrew Osborn em Moscou; Edição de Subhranshu Sahu, Rashmi Aich e Timothy Heritage)













