A Petrobras exerceu seu direito de preferência para adquirir a participação de 50% da Petronas Petróleo Brasil no campo de Tartaruga Verde e no desenvolvimento do Módulo Espadarte III na Bacia de Campos, no Brasil, um movimento que devolveria à empresa controlada pelo Estado a propriedade total dos ativos.
O transação está avaliado em US$ 450 milhões, disse a Petrobras na segunda-feira, com o negócio estruturado por meio de pagamentos escalonados. A empresa pagará US$ 50 milhões na assinatura, US$ 350 milhões no fechamento e duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões cada, 12 e 24 meses após a conclusão. Os pagamentos serão ajustados para refletir o desempenho econômico dos ativos desde 1º de julho de 2025, data efetiva da transação.
Espera-se que o acordo de compra seja assinado em breve, embora a conclusão permaneça sujeita às condições habituais, incluindo a aprovação regulatória da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Se finalizada, a aquisição devolverá à Petrobras a propriedade de 100% dos dois campos offshore, mantendo seu papel de operadora. Ambos os empreendimentos estão localizados no sul da Bacia de Campos, uma das regiões produtoras offshore mais maduras do Brasil.
A produção dos ativos atualmente gira em média em torno de 55 mil barris por dia, processados através do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes. Os campos situam-se em profundidades de água que variam entre cerca de 700 e 1.620 metros, destacando a natureza profunda do desenvolvimento.
A Petrobras disse que a aquisição fortalece a flexibilidade de gestão de seu portfólio e se alinha com a estratégia mais ampla da empresa de concentrar capital em ativos upstream de petróleo e gás capazes de gerar fortes retornos econômicos.
A mudança se enquadra na estratégia contínua da Petrobras de priorizar a produção offshore de altas margens, especialmente nas bacias de águas profundas do Brasil. Nos últimos anos, a empresa simplificou a sua base de ativos, alienando participações não essenciais e consolidando posições em campos de produção com infraestrutura estabelecida.
A Bacia de Campos, embora mais antiga que as prolíficas províncias do pré-sal na Bacia de Santos, continua sendo um componente-chave do sistema de abastecimento offshore do Brasil. Os activos maduros na região beneficiam frequentemente da infra-estrutura FPSO existente e das sinergias operacionais, permitindo aos operadores manter a produção através de redesenvolvimento ou consolidação.
A decisão da Petrobras de aumentar sua participação na Tartaruga Verde e no Espadarte Módulo III sugere que a empresa vê valor adicional na otimização da produção e no prolongamento da vida útil do campo por meio do controle operacional.
O acordo também marca uma saída parcial da Petronas da Malásia, que participou em vários projetos upstream brasileiros, mas concentrou cada vez mais a sua carteira de investimentos em ativos selecionados de alto crescimento a nível global.













