Início Desporto Migrantes que utilizam pontos de partida mais distantes e mais arriscados para...

Migrantes que utilizam pontos de partida mais distantes e mais arriscados para as Canárias após a repressão na Mauritânia, conclui a Cruz Vermelha

64
0

Por Charlie Devereux e Borja Suárez

MADRI, 14 Jan (Reuters) – Migrantes que cruzam da África Ocidental para as Canárias, na Espanha, começaram a usar pontos de partida mais distantes – e potencialmente mais mortais – em 2025, após uma repressão da Mauritânia à migração irregular, de acordo com dados publicados pela Cruz Vermelha.

O número de pequenos barcos que chegam às Canárias ‌ vindos da Gâmbia, ao sul da Mauritânia, mais do que duplicou, para 22 em 2025, contra nove em 2024, segundo os dados.

Três barcos da Guiné, ainda mais a sul, também chegaram em 2025, com um barco a partir da sua capital, Conacri, a mais de 2.000 quilómetros (1.243 ⁠ milhas) do arquipélago espanhol, ‌uma viagem que durou 11 dias.

Migrantes e grupos de direitos humanos afirmam que a polícia começou a reprimir os imigrantes na Mauritânia em Março do ano passado. Seguiu-se à assinatura de um pacto com a União Europeia em 2024 com o objetivo de conter a migração irregular.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, fez três visitas a Nouakchott nos últimos dois anos, depois de as chegadas às Canárias terem atingido um recorde de 46.843 em ‌2024 e a Mauritânia se ter tornado o principal ponto de partida.

A Comissão Europeia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os dados da Cruz Vermelha – recolhidos através de entrevistas com chegadas às Canárias – mostraram que as partidas da Mauritânia caíram 89% para 23 entre 1 de abril e 31 de dezembro do ano passado, em comparação com 216 no mesmo período ⁠de 2024.

As chegadas às Canárias provenientes da África Ocidental caíram 59% em 2025 até Outubro em relação ao ano anterior, afirma o Ministério do Interior de Espanha.

“O fato de as pessoas estarem partindo mais ao sul nessa rota significa que elas têm mais tempo para viajar, precisam ir mais longe com os suprimentos, precisam de dinheiro para combustível, o que significa que é ainda mais arriscado. A travessia mais letal para (a Europa) está, infelizmente, prestes a se tornar ainda mais letal”, disse Hassan Ould Moctar, professor de antropologia da migração na Universidade SOAS de Londres.

(Reportagem de Charlie Devereux e Borja Suarez, edição de Aislinn Laing e Alex Richardson)

fonte