Nas últimas semanas, meses e até anos, as guerras dominaram as manchetes. A invasão em grande escala da Ucrânia, o conflito Israel-Hamas e agora a escalada da guerra Estados Unidos-Israel com o Irão contribuíram para trazer a defesa e a segurança de volta ao debate político.
Este ambiente tenso influenciou profundamente as discussões na União Europeia, com os países aumentando os gastos com defesa e a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propondo, em março de 2025, o plano ReArm Europe/Readiness para apoiar os investimentos de defesa dos estados membros.
Mas estará o sistema de defesa europeu pronto para combater as ameaças espaciais?
Para responder a esta e a mais perguntas, neste episódio de perguntas e respostas, o Euronews Tech Talks conversou com Giulia Pavesi, líder de segurança e defesa do Instituto Europeu de Política Espacial (ESPI), e Jean‑Luc Trullemans, chefe do Centro Europeu de Segurança e Educação Espacial da Agência Espacial Europeia (ESA).
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Qual é o estado do sistema de defesa espacial da Europa?
“A Europa passou a tratar o espaço como um domínio operacional central, em vez de apenas um ativo de apoio, interligando cada vez mais o espaço, a defesa e a indústria”, disse Pavesi ao Euronews Next.
Segundo Pavesi, as recentes crises regionais e internacionais levaram a Europa a aumentar o seu planeamento espacial e de defesa. Esta decisão, explicou, também foi motivada pelo desejo de ganhar mais autonomia face aos seus aliados internacionais, como os Estados Unidos.
Esta mudança, disse Pavesi, não é apenas política, mas também industrial. O aumento das despesas com a defesa, acrescentou, deve ser visto como uma oportunidade para “reimaginar como transformar a indústria espacial europeia”.
Nesta corrida espacial, os países europeus estão a desenvolver as suas capacidades nacionais, ao mesmo tempo que trabalham com os seus vizinhos para fortalecer as competências colectivas da Europa, disse ela.
“A Europa está a gravitar em direção ao que poderia realmente ser chamado de modelo federado para capacidades de defesa espacial”, acrescentou Pavesi.
Um exemplo deste modelo federado é o programa europeu seguro de comunicações por satélite GOVSATCOM, no qual os países reúnem e partilham capacidade de satélite com outros estados europeus.
Os sistemas europeus de defesa espacial podem combater as ameaças?
Apesar do crescente interesse e investimento da Europa em infra-estruturas de defesa espacial, os sistemas espaciais europeus ainda enfrentam vários desafios.
“Estamos enfrentando um ambiente espacial cada vez mais contestado, congestionado e competitivo”, disse Trullemans.
Trullemans identificou quatro vulnerabilidades principais dos sistemas espaciais europeus: a crescente dependência dos serviços espaciais para atividades terrestres, as ameaças cibernéticas, as dependências tecnológicas de intervenientes externos e a órbita congestionada repleta de objetos e detritos espaciais.
Apesar destes riscos, Trullemans disse não acreditar que a ESA deva diminuir a cooperação científica internacional.
“A questão não é reduzir a abertura, mas sim gerir melhor o risco associado”, afirmou, destacando, por exemplo, a importância da partilha de dados, mas também de controlar os sistemas de forma muito rigorosa.
Fechar parcerias com a indústria em nome da redução dos riscos cibernéticos também não é uma opção para Trullemans. “O crescente envolvimento dos atores comerciais europeus, do meu ponto de vista, é muito positivo”, afirmou.
Isto pode representar novos desafios que podem ser enfrentados através do desenvolvimento de capacidades europeias de processamento de dados e de nuvem e da harmonização dos padrões de segurança cibernética entre agências, instituições e indústria, de acordo com Trullemans.











