Quem nunca recebeu um convite de um amigo para ir ao teatro? Em Divinópolis, há muitos artistas locais e companhias que procuram ganhar espaço e mostrar seu trabalho. Mas, só quem acompanha de perto, conhece as dificuldades que eles encontram no dia a dia com divulgação, patrocínio e, principalmente, para ganhar público.

A preparação desses artistas é apenas o início de uma longa jornada que vai até o grande dia: a apresentação para o público. As companhias oferecem cursos de expressão e interpretação e, muitas vezes, proporcionam oportunidade para inserção dos mesmos no teatro, oferecendo ainda o curso de canto para peças no estilo musical, que se tornaram comuns na região. Os artistas locais encontram dificuldades desde o início de seus ensaios, entre elas, a falta de cachê e de apresentações frequentes. Eles precisam conciliar suas atividades diárias, trabalho e família com a rotina dos ensaios.

Mas, não basta apenas se preparar. Além de todo esforço e dedicação que os ensaios exigem, há uma parte que não deveria ser de responsabilidade somente dos artistas: a divulgação. Vandy Siqueira, 30, é atriz há mais ou menos dois anos e contou um pouco sobre essa dificuldade. “A cultura de maneira geral na cidade é um pouco falha. As pessoas não têm o hábito de ir ao teatro. Quando vamos apresentar nossas peças, conseguimos até um público bacana, mas não é um público fiel, que vai porque se interessa. Há pessoas que nunca foram ao teatro. Acho que falta um incentivo porque elas pensam que é uma coisa cara. A gente também percebe que as peças têm que ser só de comédia paro o público aceitar e ir assistir”, ressalta.

A artista conta que a preferência pela comédia faz com que o público e o próprio grupo de teatro não tenham outra perspectiva. “Para ver uma peça de Nelson Rodrigues, que é voltado para o drama, ou uma adaptação de um clássico famoso, não há aceitação. Para o ator isso não é legal, porque precisamos ir em todas as perspectivas. A cidade é grande e as empresas deveriam investir mais, incentivar as pessoas a irem ao teatro. A própria prefeitura não ajuda muito. O teatro municipal não é conservado, deveria passar constantemente por manutenção, mas não tem verba para isso”, lamenta.

Carol Carvalho, 24, atriz há mais ou menos dois anos, reforça as observações de Vandy e ainda ressalta outras dificuldades. “As pessoas, de uma forma geral, não têm a cultura de pagar para assistir uma peça de teatro, mas pagam um absurdo para ver, por exemplo, um campeonato de futebol. Acham que a arte não é um trabalho, que é somente uma diversão”.

Carol também questiona se os patrocinadores acompanham a peça. “Em alguns espetáculos que eu já assisti, havia um vídeo e muitos patrocinadores. Mas será que aquelas pessoas que patrocinam estão ali ou utilizam o espaço somente como mídia? Será que incentivam seus colaboradores a participarem?”, indaga. Ela conta, entretanto, que mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, existe recompensa.  “Em todas as peças que participei, o público, de maneira geral, veio em grande peso. Nós, como artistas que temos que suar bastante para lotar o teatro – porque não é uma coisa fácil divulgar na internet e as pessoas procurarem – fazemos um trabalho muito árduo, mas quando o público recebe muito bem, de maneira muito boa, é um retorno sem explicação”, comemora.

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