Com o ano de 2017 quase chegando ao fim, amantes dos filmes de heróis já ficam pensativos e mais que ansiosos para os filmes que teremos em 2018 e um em especial merece um destaque: Pantera Negra.  A estreia do herói no cinema foi marcante no filme Guerra Civil e apresentou um personagem de caráter e personalidade bem fortes, além de ser extremamente habilidoso em luta.

O filme solo do herói, que estreia dia 15 de fevereiro, vai se aprofundar mais na história pessoal do personagem e também nos mistérios que rondam o reino de Wakanda. Para você chegar um pouco mais preparado para esse filme, vamos dar à você leitor, um breve resumo da história do Pantera Negra, Wakanda e o que pode deixar de ser contado devido a narrativa diferente dos quadrinhos.

Mapa de Wakanda

Para começar, Pantera Negra não é simplesmente o nome do herói, mas sim de um manto sagrado do povo de Wakanda, que pertence ao Rei e é passado de geração em geração. T’Challa é o Pantera Negra que conhecemos em Guerra Civil, filho do Rei T’Chaka, que quando criança bebeu de uma poção feita de ervas em formato de coração, consideradas mágicas pelo povo de Wakanda. A poção deve ser ingerida por cada futuro Rei de acordo com a tradição do povo. Ingerindo ela, a pessoa desperta poderes do “Espírito da Pantera”, ou seja, superforça, super-agilidade, e sentidos super-aguçados, se tornando um ser realmente poderoso. Além de beber da poção, T’Challa frequentou as melhores escolas dos Estados Unidos e Europa e chegou a se formar em Física, o que o ajudou a projetar a armadura feita de Vibranium, que futuramente ajudou na proteção do seu reino e de seu povo.

Uniforme de Vibranium

Vale ressaltar que o Vibranium é uma importante ligação para se entender o que Wakanda representa no Universo da Marvel, tanto nos quadrinhos como nos filmes. Wakanda é o único lugar do mundo onde se é capaz de extrair o metal Vibranium, que chegou lá através de um meteoro que caiu no Reino. Ele é um dos metais mais raros e fortes no mundo da Marvel, capaz de absorver sons e energias em geral, como tiros, golpes de espada, explosões. Nada disso é capaz de perfurar o Vibranium, nem mesmo as garras do Wolverine feitas de Adamantium. Só o Vibranium já é capaz de explicar porque Wakanda acaba sendo alvo de tantos mercenários e vilões, não somente por sua força, mas pelo seu alto valor de mercado. Sendo assim T’Challa foi obrigado a montar uma Wakanda de “faixada”. Ou seja, um reino simples e sem muito a oferecer, mas que no fundo é altamente desenvolvido e rico.

Quando a história começa a focar no Pantera Negra, é preciso lembrar que ele fez tudo isso com seus poderes após o assassinato de seu pai, T’Chaka, por um caçador que queria tomar posse dos depósitos de Vibranium, em Wakanda. No filme Guerra Civil, a morte de T’Chaka é bem diferente, ela acontece no meio de um discurso com a explosão de uma bomba. A história nos quadrinhos segue com a do caçador que assassinou o Rei de Wakanda e que mais tarde se tornaria o vilão Garra Sônica. Felizmente T’Challa conseguiu expulsar o caçador, mas os testes para seus poderes e habilidades só estavam começando. Para tomar posse realmente do trono de Wakanda, T’Challa teria que enfrentar os 6 melhores lutadores do reino e assim assumir seu lugar como Rei. Dessa forma ele também poderia alcançar o verdadeiro poder do “Espírito da Pantera”. Ele venceu o desafio e tomou posse do manto sagrado de Pantera Negra. Com a grande e sábia liderança de T’Challa, Wakanda, mesmo que secretamente, se tornou um reino rico e tecnologicamente bem avançado e de certa forma muito influente em todo o mundo.

T’Chaka, o pai do Pantera Negra.

Seu primeiro contato com outro herói foi Steve Rogers, o Capitão América. Steve o convidou para fazer parte dos Vingadores. Em um primeiro momento ele apenas aceitou porque queria espionar, de dentro, aquele grupo tão poderoso. Com o passar do tempo, T’Challa acabou considerando os Vingadores uma verdadeira família. Após virar um Vingador, T’Challa passou um bom tempo longe de seu reino. Ao voltar para Wakanda, um guerreiro nacionalista conhecido como Killmonger havia modificado completamente o reino. Essa é uma das histórias mais interessantes que acontecem no quadrinho e, pelo que vimos nos trailers do filme, é mais ou menos essa história que vai ser contada, claro que de maneiras diferentes. A história e o papel de T’Challa no filme Guerra Civil é bem diferente do que vimos no arco dos quadrinhos. Nas HQ’s, o herói se alia à Steve Rogers e se casa com Ororo Monroe, a famosa Tempestade dos X-Men, algo que dificilmente veremos nas telas do cinema, principalmente devido aos conflitos com direitos de uso de imagem.

A primeira aparição do Pantera Negra nos quadrinhos foi em Quarteto Fantástico #52, no ano de 1966. Na história T’Challa se alia ao grupo para enfrentar o Garra Sônica. O Rei de Wakanda também já integrou o famoso grupo do Quarteto, não somente ele, mas a sua esposa Ororo também. Eles substituíram temporariamente Reed Richards e Susan Richards. Isso aconteceu logo depois da Guerra Civil, quando os dois principais integrantes do Quarteto Fantástico deram um tempo para reconstruir o casamento.

Vale destacar que o Pantera Negra surgiu nos quadrinhos no mesmo ano em que o Partido dos Panteras Negros foi fundado nos EUA. Uma organização política extraparlamentar norte-americana ligada ao nacionalismo negro no país. O grupo tinha como objetivo combater coletivamente a opressão dos brancos. Eles vigiavam as comunidades negras para ter a certeza que nada de ruim acontecesse com seus integrantes. Um papel muito parecido com o que T’Challa tem em Wakanda e com o povo que ele lidera. O Pantera Negra é um símbolo de proteção para aquele povo, símbolo de segurança, por isso T’Challa não mede esforços para proteger e guardar seu reino. Além disso, ele foi um dos primeiro heróis negros grande destaque.

A semana da Consciência Negra está aí, e parar para pensar nos princípios que os quadrinhos e agora o filme desse personagem podem despertas nas pessoas é animador. Já que problemas de racismo e preconceito ainda rondam a nossa sociedade de formas às vezes até sutis, mas que já são o bastante para afetar a vida daqueles que são atingidos por isso. Com certeza é importante para todos nós observarmos essa história não apenas como qualquer uma, mas sim com olhos para as mensagens de força e perseverança que há nas entrelinhas. Ter um negro com um papel tão forte e ativo assim é relevante para que paradigmas sejam quebrados e opiniões sejam moldadas.

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