Devido à vários problemas corporativos, incluindo a saída de artistas por falta de pagamento, a Marvel declarou falência em 1996. Para evitar que a “Casa das ideias” tivesse que fechar as portas para sempre, eles tiveram que licenciar os direitos de seus personagens para os estúdios e, assim, Hulk e Namor foram para a Universal, Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma para a Sony Pictures e X-Men, Quarteto Fantástico, Demolidor, Justiceiro para a 20th Century FOX. A partir dos anos 2000, os estúdios começaram a produzir adaptações dessas propriedades. Algumas muito bem executadas, mas boa parte um desperdício de material!

Conseguindo um dinheiro para se levantar, a Marvel pensou em algo além do licenciamento de filmes: a produção dos seus próprios! Começou ali, por volta de 2004, o pensamento de um universo compartilhado dos personagens da Marvel, comandado pelo jovem e declarado fã, Kevin Feige. Com os seus personagens mais populares naquele momento nas mãos de outros estúdios, ficou a dúvida de quais personagens adaptar para as telas. Dali veio ideias como o Homem-Formiga, de Edgar Wright, o filme do Capitão América, – um filme dos Vingadores seria muito caro para aquele momento – porém Feige com os outros executivos pensaram estrategicamente e apostaram na ideia do universo, colocando em risco a Marvel Studios logo de cara ao anunciarem o ator protagonista de seu primeiro longa: Robert Downey Jr.

A partir daqui a história já é mais conhecida! Homem de Ferro foi um sucesso de crítica e público, resgatou a carreira de Downey Jr; mas o principal era aquela inesperada cena pós crédito trazendo Samuel L. Jackson como Nick Fury, indagando Tony Stark sobre a Iniciativa Vingadores! A semente havia sido plantada e durante cinco anos vimos ela germinando na tela na reintrodução do Hulk no cinema, com o retorno estiloso do Homem de Ferro e na introdução do Thor e Capitão América. Os heróis estavam apresentados, eles só precisavam se juntar para que a Marvel concretizasse seu ambicioso e arriscado objetivo. Os Vingadores não só é um dos maiores eventos do cinema de super heróis, como um poço de diversão que conquista os jovens, até os mais velhos. O Universo Cinematográfico Marvel existia a partir daquele momento!

Os Vingadores tornou-se o maior filme de super heróis de todos os tempos mas, da mesma forma que em Homem de Ferro, a Marvel estipulou sua nova meta no pós crédito dos “Maiores Heróis da Terra”. A revelação da grande ameaça, do inimigo mais poderoso: Thanos! A repercussão do filme dos Vingadores e da surpreendente virada de jogo da Marvel, chamou a atenção da concorrência. Desde a Warner com os heróis da DC comics, como também os estúdios que ainda mantinham os direitos de personagens da Marvel e que naquela altura já haviam perdido propriedades pelo mal uso delas (Demolidor, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Blade etc). Enquanto os outros corriam atrás desesperadamente, a Marvel não ficou parada, e se ela já havia tornado Vingadores seu maior supergrupo de todos, o que ela fez com Guardiões da Galáxia até hoje é um tanto inexplicável, mas deu muito certo!

A Marvel havia nas mãos dois supergrupos muito rentáveis e queridos, que basicamente saíram do anonimato para o mainstream. O impossível não existia para a Marvel. Isso se provou quando, em 2015, eles anunciaram a parceria com a Sony Pictures, onde eles compartilhariam os direitos do Homem-Aranha. Após fracassadas tentativas de um reboot ou de criar seu universo compartilhado da pior maneira possível (Sexteto Sinistro), o maior personagem da Marvel estava de volta! Todas essas conquistas em torno de novas produções, ampliando o universo, introduzindo misticismo (Doutor Estranho), novos heróis (Homem-Formiga), uma cisão entre “Os Maiores Heróis da Terra” (Capitão América: Guerra Civil), para esse que será a grande culminação dos dez anos do Marvel Studios, Vingadores: Guerra Infinita!

Em janeiro de 2017, a Marvel liberou um vídeo dos primeiros dias de gravação de Guerra Infinita, sendo apresentado por Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Chris Pratt (Peter Quill) e Tom Holland (Homem-Aranha), simplesmente a trindade perfeita para simbolizar a união de tudo que foi criado nesse universo e conquistado durante uma década:

Durante o vídeo, vemos Kevin Feige, o presidente do Marvel Studios, e os Irmãos Joe e Anthony Russo (diretores do filme) falando de toda essa trajetória. Compartilharam como foi importante fazer Guerra Civil antes, para deixar os Vingadores e a Terra vulneráveis, para que a figura do Thanos se justificasse mais ameaçadora que qualquer outro inimigo de todos os 17 filmes lançados e a confirmação de que aqui veremos o encontros dos Vingadores com os Guardiões da Galáxia. Contudo não é apenas a confirmação de um crossover esperado, ou a espera para o Thanos finalmente aparecer. É você ter a feliz sensação de que isso foi construído muito bem!

Cada um dos filmes, mesmo alguns sendo esquecíveis ou com certos defeitos da tão falada “Fórmula Marvel”, serviram para construir esse caminho. Cada fã esteve lá em cada estreia de filme, acompanhando e se divertindo, e assim foi também em cada estreia de trailer. Tanto que o anúncio para o lançamento do trailer de Guerra Infinita foi uma jogada comercial muito inteligente, e também bonito por parte da Marvel em reconhecer essa galera que está aí consumindo o conteúdo dela com fervor por todos esse anos. A emoção em repetir o discurso do Nick Fury no primeiro Vingadores, ver Thanos, Homem-Aranha, uma quantidade absurda de super heróis em tela e finalizar com os Guardiões da Galáxia é devidamente merecida!

O sucesso estrondoso dentro dessa história de dez anos, mais o passado escuro de quase falência, são a prova de que a Marvel conquistou o cinema de super heróis merecidamente e ninguém vai conseguir bater o sucesso dela! Pelo menos não jogando o mesmo jogo. A Fox demorou para perceber isso e dentro da franquia dos X-Men tentou arrumar a casa em Dias de um Futuro Esquecido (2014), sendo o filme da equipe de maior sucesso. Mas a falta de inspiração respingou no público e na crítica e a recepção de X-Men: Apocalipse (2016) foi bem abaixo do seu antecessor. Foi nos filmes independentes, focando em um gênero específico que a Fox encontrou o seu caminho nas adaptações de quadrinhos com Deadpool e Logan (e possivelmente com Os Novos Mutantes).

Não sabemos como a possível compra de algumas propriedades da Fox pela Disney (incluindo o retorno dos X-Men e Quarteto Fantástico para as mãos da Marvel) irão interferir nessa visão de filmes de super heróis para maiores (visão que a Disney não compartilha), mas isso só o tempo dirá (esperamos um anúncio oficial em breve)! A sony continua com suas intenções de expandir o universo do Homem-Aranha no cinema (sem o herói e deslocado do Universo Marvel), com o filme do Venom. A Warner continua perdida no caminho que o Universo da DC irá trilhar. Definiram que o sombrio e realista não é o caminho certo, mas tomaram essa decisão tarde demais!

Liga da Justiça foi totalmente remodelado para ao final seguir por um caminho mais leve, porém com o otimismo e heroísmo no lugar certo. Isso não impediu da crítica e do público perceberem os problemas da visão do longa e, agora, na sua segunda semana em cartaz, Liga da Justiça está próximo de arrecadar 500 milhões de dólares, sendo que seu orçamento foi de 300 milhões, mais o investimento em marketing. Parece que será difícil alcançar até os 800 milhões de Batman Vs Superman, considerado mais do que um prejuízo para a Warner, um verdadeiro fracasso! Lembrando que estamos falando dos maiores super heróis de todos e conhecidos da cultura pop, há muito mais tempo que os Vingadores!

O grande problema é mais do que a visão do Zack Snyder ou até da entrada do Joss Whedon e sim da Warner não determinar alguém para coordenar o Universo da DC, como o Kevin Feige é na Marvel, desde o início. Geoff Johns foi anunciado como essa figura após a recepção de Batman Vs Superman, mas claramente ele é mais uma figura de enfeite para passar uma impressão de que tudo lá dentro está caminhando conforme um planejamento, mas não é ele de fato que está tomando as decisões. Principalmente agora que Johns está envolvido com a saga de quadrinhos “Doomsday Clock” (uma sequência direta de Watchmen, que trará o encontro dos personagens de Alan Moore e Dave Gibbons juntos com o Universo DC). Com o que você acha que ele está mais preocupado no momento?

A Warner terá um período de um ano para se reestruturar e definir de uma vez por todas o caminho que irá seguir e tomara que ela perceba, como a Fox, que não é interessante, nem mesmo para o mercado, jogar o mesmo jogo que a Marvel e sim criar o seu próprio! Enquanto isso esperamos que a Fox continue surpreendendo com essa proposta de filmes de gênero, que a Sony tenha algo de fato a acrescentar no filme do Venom e que tenhamos um excelente e importante filme do Pantera Negra em fevereiro, seguido do que provavelmente será o maior filme de super heróis de todos os tempos. “Avante, Vingadores”!

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Vingadores: Guerra Infinita estreia dia 28 de abril de 2018.

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Estudante de Publicidade e Propaganda. Cinéfilo, adora Séries, leitor ativo de Livros e Quadrinhos.