Acaba de ocorrer um momento marcante para os microdramas, de acordo com o analista do setor Omdia.
A análise do uso de telefones celulares nos EUA mostra que os usuários estão gastando mais tempo assistindo a vídeos verticais do que assistindo Netflix, Disney+ ou Prime Video em dispositivos móveis.
Dado o estágio relativamente incipiente dos microdramas, a estatística é extremamente significativa. Isso ocorre depois que Omdia estimou que as receitas globais de microdrama atingiram US$ 11 bilhões em 2025 e atingirão US$ 14 bilhões até o final deste ano. Em 2030, o número será bem superior a US$ 20 bilhões.
A maior parte da receita vem da China, mas cerca de 3 mil milhões de dólares serão gerados noutros locais este ano, sendo os EUA, de longe, o segundo maior mercado. Omdia prevê que, até ao final de 2026, os EUA serão responsáveis por 50% de todas as receitas de microdrama fora da China.
A visualização de microdramas é dirigida principalmente por mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos, embora a utilização entre os homens esteja a ser alvo da introdução de novos públicos. Os programas, que passam verticalmente em telefones celulares, têm normalmente entre um e três minutos de duração e muitas vezes apresentam histórias românticas e melodramáticas.
“Os microdramas já não são uma experiência de nicho”, disse Maria Rua Aguete, Chefe de Mídia e Entretenimento da Omdia, que fala hoje no MIP Londres. “Eles estão se tornando um impulsionador central do engajamento de vídeos móveis. O que se destaca não é apenas o crescimento da receita, mas a intensidade do uso. Nos dispositivos móveis, os aplicativos de microdrama estão gerando mais tempo de visualização diário do que as maiores plataformas de streaming do mundo.”
As estatísticas
A análise da Omdia, que avaliou dados móveis da Sensor Tower, mostrou que aplicativos de microdrama como o ReelShort estão ultrapassando os SVODs em dispositivos móveis, com a descoberta sendo conduzida através do YouTube, TikTok e Instagram.
O ReelShort exige 35,7 minutos de uso por dia, bem à frente do Netflix (24,8 minutos), Prime Video (26,9 minutos) e Disney+ (23 minutos).
A Netflix continua a ser líder em usuários móveis ativos mensais nos EUA, com cerca de 12 milhões, em comparação com 1,1 milhão do ReelShort. Isso sugere que a intensidade do envolvimento no microdrama é muito maior.
Foi uma história semelhante no Reino Unido, onde o FlickReels gera maior uso diário do que o Prime Video (22,39 minutos contra 21,47 minutos), e no México, onde o DramaBox supera o Prime Video (27,9 minutos contra 23,8 minutos) e Disney+ (22,5 minutos).
“Os microdramas estão vencendo a batalha pela atenção, e não pela escala, pelo menos por enquanto”, disse Aguete. “Essa é a métrica com a qual os streamers mais se preocupam enquanto buscam aumentar o uso de dispositivos móveis e competir com plataformas de vídeo social onde o envolvimento diário se aproxima de 80 minutos.”
Alguns dos streamers deram passos provisórios no vídeo vertical, com o Disney+ lançando recentemente um em seu serviço. ViX, da TelevisaUnivision, no México, e GloboPlay, no Brasil, estão incorporando conteúdo seriado em formato curto nos ecossistemas AVOD e freemium, usando modelos de microdrama para aumentar o envolvimento e o alcance.
“As estratégias verticais de vídeo, incluindo microdramas, estão se tornando o próximo passo lógico para streamers que desejam aumentar o uso móvel sem canibalizar seu conteúdo premium de formato longo”, concluiu Aguete. “Os microdramas não estão substituindo a TV ou o streaming, mas estão remodelando a forma como o público consome histórias em dispositivos móveis.”













