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Painel de legisladores turcos apóia reformas de paz, mas vincula medidas legais ao desarmamento militante curdo

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ANCARA, Turquia (AP) – Um comitê parlamentar turco recomendou na quarta-feira uma série de reformas para avançar uma nova iniciativa de paz com o militante Partido dos Trabalhadores do Curdistãoou PKK, ao mesmo tempo que sublinha que as medidas legais devem ser vinculadas às instituições de segurança do Estado para verificar se o grupo entregou as suas armas.

As recomendações, que foram aprovadas por esmagadora maioria pelo Conselho Nacional de Solidariedade, Irmandade e Democracia Comissãoapela a uma medida legal temporária para reintegrar os membros do PKK que renunciam à violência, de acordo com a versão final de um relatório colocado à disposição dos jornalistas.

A comissão também apela a medidas para expandir a liberdade de expressão, libertar prisioneiros idosos ou doentes e garantir que os atos não violentos não sejam processados ​​ao abrigo de leis antiterroristas. Propõe também o fim da prática de nomear administradores governamentais para substituir presidentes de câmara eleitos do partido pró-curdo do país.

Designado como organização terrorista pela Turquia, pelos Estados Unidos e pela União Europeia, o PKK tem travado uma insurgência armada desde 1984 que ceifou dezenas de milhares de vidas e se espalhou pelos vizinhos Iraque e Síria.

O grupo inicialmente procurou um estado curdo independente, mas depois passou a exigir autonomia e direitos expandidos dentro da Turquia.

O relatório da comissão afirma que a verificação estatal de que o PKK depôs os braços e a própria dissolução é “o limite mais crítico no processo”.

As recomendações não chegam a propor liberdade condicional para o líder preso do PKK Abdullah Ocalaninstando, em vez disso, o cumprimento das decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e do Tribunal Constitucional Turco sobre a melhoria das condições de detenção. Refletindo a forte oposição pública à clemência para com o PKK, o projecto de relatório evita pedir uma amnistia geral, sugerindo, em vez disso, que os casos dos combatentes sejam revistos individualmente.

“O relatório não é um acordo de amnistia”, sublinhou o Presidente Parlamentar Numan Kurtulmuş antes da votação, descrevendo o trabalho da comissão como “uma expressão clara da determinação de construir o futuro juntos sem negar o nosso sofrimento”.

As recomendações foram aprovadas por 47 votos a favor, dois votos contrários e uma abstenção, informou a emissora Haberturk.

A comissão foi formada em Agosto para supervisionar o esforço de paz após o PKK, na sequência um apelo de Ocalananunciou em maio que iria desarmar e dissolverencerrando mais de quatro décadas de hostilidades. Mais tarde, o grupo realizou uma cerimónia simbólica de desarmamento no norte do Iraque e começou retirando seus lutadores restantes da Turquia.

Não houve nenhuma declaração imediata do PKK que pressionasse por garantias legais formais do governo para que o processo avançasse.

O projecto de relatório também recomenda medidas mais amplas de democratização, incluindo uma revisão das leis da comunicação social para garantir que a liberdade de expressão e o direito à crítica legítima sejam protegidos. Propõe que, em caso de destituição de um prefeito, o sucessor seja escolhido por meio de eleição interna pelo conselho municipal, em vez de ser nomeado pelo governo.

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