NOVA DELHI (Reuters) – O governo da Índia concedeu neste domingo uma grande vitória à Apple ao permitir que empresas estrangeiras forneçam gratuitamente máquinas para seus fabricantes contratados estabelecidos em certas áreas por cinco anos, sem temer qualquer risco fiscal.
A fabricação de smartphones é um elemento-chave da agenda do primeiro-ministro Narendra Modi, mas a Apple vem pressionando o governo da Índia para modificar suas leis de imposto de renda para garantir que a empresa não seja tributada pela propriedade de máquinas de última geração para iPhone que fornece aos fabricantes contratados.
Na Índia, ao contrário da China, a Apple estava preocupada com o facto de, se pagasse pelas máquinas dos seus fabricantes contratados, a lei indiana pudesse considerar isso uma chamada “ligação comercial” e impor impostos sobre os lucros das vendas do iPhone. Isso forçou seus fabricantes contratados Foxconn e Tata a “gastarem bilhões de dólares em máquinas”.
A Índia disse no domingo que “para promover a fabricação de produtos eletrônicos para um fabricante contratado”, está fazendo certas mudanças na lei para garantir que a mera propriedade de máquinas por uma empresa estrangeira não resulte em renda ou impostos sobre ela.
A decisão foi tornada pública como parte do orçamento anual da ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, para 2026-27, apresentado no domingo.
ESCALA MAIS RÁPIDA E MAIOR CONFIANÇA
A mudança de regra será aplicada até o ano fiscal de 2030-31 e apenas às fábricas instaladas nas chamadas áreas alfandegárias – que são tecnicamente consideradas fora da fronteira alfandegária da Índia. Se os dispositivos dessas fábricas forem vendidos na Índia, eles atrairão impostos de importação, tornando essas instalações atraentes apenas para exportações.
“Qualquer rendimento resultante do fornecimento de bens de capital, equipamento ou ferramentas a um fabricante contratado, sendo uma empresa residente na Índia, é elegível para isenção”, afirmou o governo indiano num dos seus documentos orçamentais explicativos.
A Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
“Essa isenção elimina um risco importante de quebra de acordo para a fabricação de eletrônicos na Índia”, disse Shankey Agrawal, sócio do escritório de advocacia indiano BMR Legal, com foco em impostos. “O resultado é uma expansão mais rápida e maior confiança para os players globais de eletrônicos fabricarem na Índia.”
A decisão ocorre no momento em que a Apple vem crescendo na Índia à medida que se diversifica além da China. A Counterpoint Research afirma que a participação do iPhone no mercado indiano dobrou para 8% desde 2022. E embora a China ainda seja responsável por 75% das remessas globais de iPhone, a participação da Índia quadruplicou para 25% desde 2022.
A Apple manteve muitas discussões com autoridades indianas nos últimos meses para “ajustar a lei, pois temia que a legislação pudesse prejudicar seu crescimento futuro”, informou a Reuters.
(Reportagem de Aditya Kalra; Edição de Sonali Paul)













