“Pastoralia”, a história que dá título a esta coleção, é sobre duas pessoas que trabalham em um parque temático, fingindo ser homens das cavernas. Assim como em “Atropia”, o personagem principal é completamente obcecado em manter a autenticidade, e fica profundamente frustrado com o colega de trabalho, que está sempre quebrando o caráter, e com a futilidade dos visitantes que chegam e não apreciam realmente a destreza envolvida em seu trabalho. Existem também senhores corporativos, que nunca são vistos.
Meu detalhe favorito da história tem a ver com o fato de que os atores-homens das cavernas deveriam assar cabras, que às vezes aparecem e às vezes não – isso depende dos senhores – e o personagem principal da história acha muito mais fácil se preocupar com o fato de a cabra não estar no slot do que lidar com a vida real além da simulação.
A exposição do cadáver: e outras histórias do Iraque
por Hassan Blasim
Acho que, por causa do título, este livro corre o risco de ser mal interpretado como muito pesado. Definitivamente trata dos assuntos mais pesados – morte, guerra, traição. Mas também tem um humor negro para acabar com todo humor negro. A história titular é sobre um assassino que está tendo uma troca extremamente burocrática com um recruta, explicando-lhe a melhor forma de organizar um quadro de cadáveres para obter o máximo efeito estético. É arrepiante e hilário – me lembra um pouco o fantástico falso documentário colombiano “Os Vampiros da Pobreza”.
Minha história favorita da coleção é “O Coelho da Zona Verde”, que é sobre esses dois jovens que estão invadindo uma mansão na zona verde, e tem uma espécie de “Esperando Godot”. Um deles começa a tratar um coelho como animal de estimação e, eventualmente, ele põe um ovo e os homens enlouquecem. Captura o estranho de ter um futuro incerto num lugar que se tornou totalmente sem lei, e também tem um surrealismo que acaba por não ser totalmente surreal, que é algo que eu também queria para o meu filme.
Escrito na parede
por Shaun Lewis
Este livro é uma coleção de fotografias de reflexões rabiscadas nas paredes dos penicos portáteis no Iraque, tiradas por um soldado durante o seu destacamento em 2004 e 2005. Penso que os penicos portáteis tinham uma espécie de estatuto mítico na Guerra do Iraque, porque eram os únicos locais onde os soldados passavam algum tempo sozinhos e, por causa disso, podiam tornar-se locais de prazer e contemplação. O grafite aqui inclui desenhos extremamente detalhados de atos sexuais e registros de pessoas se assumindo e gritos de socorro e até poesia. Alguns dos momentos mais encantadores são quando alguém acrescenta uma refutação a alguma coisa. Em uma foto, alguém escreveu “Eu gostaria de estar onde estava quando desejei estar aqui”. Ao lado, alguém riscou as palavras “Lil Bitch”. Há coisas mais sérias também – colocamos uma no filme que diz “Nós, os relutantes, liderados pelos não qualificados, morremos pelos ingratos”. Eu não diria que a fotografia em si é significativa ou artística, mas é uma incrível coleção de documentos que, em conjunto, criam um retrato holístico daquela época.













