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Venezuela anuncia anistia geral para presos políticos encarcerados desde 1999

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O presidente venezuelano apresentou a iniciativa na sexta-feira durante a cerimônia de abertura do ano judicial no Supremo Tribunal Federal. Delcy Rodríguez instruiu a Comissão da Revolução Judicial a preparar o texto legal nas próximas horas para votação na Assembleia Nacional.

A lei não incluiria aqueles condenados por homicídio, tráfico de drogas ou violações dos direitos humanos. Rodríguez também pediu que “a vingança, a vingança e o ódio” não prevaleçam entre aqueles que recuperam a liberdade.

Segundo a ONG venezuelana Foro Penal, existem atualmente 711 presos políticos. O governo negou consistentemente este número, descrevendo os detidos como terroristas. Desde 8 de janeiro, a organização documentou 302 libertações, embora os números oficiais variem: o ministro do Interior fala em 808 libertações desde dezembro, enquanto o procurador-geral menciona 643 medidas cautelares.

Esperanças cautelosas em meio à reaproximação

Em postagem nas redes sociais, María Corina Machado, vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2025atribuiu a decisão à pressão dos EUA. “Não é algo que o regime quisesse fazer voluntariamente”, disse ela no Hay Festival em Cartagena. Lembrou que alguns presos estão presos há 23 anos e acrescentou que o Presidente Rodríguez é “incapaz” de gerar confiança ou estabilidade para levar a cabo uma transição política.

Deputados venezuelanos como Henrique Capriles e Stalin González acolheram a proposta como um passo necessário. As famílias dos detidos expressaram esperança misturada com cepticismo após anos de promessas não cumpridas.

A Venezuela não decreta uma amnistia desde 2007, quando Hugo Chávez perdoou os envolvidos no golpe de 2002. Uma tentativa parlamentar em 2016 foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal. Em 2020, Maduro concedeu 110 indultos por decreto antes das eleições legislativas que a oposição maioritária boicotou.

A proposta coincide com aproximações entre Rodríguez e a administração Trump. O presidente em exercício confirmou conversas telefónicas com Trump e Marco Rubio sobre questões bilaterais, incluindo a reabertura do espaço aéreo e a abertura do petróleo ao investimento estrangeiro. Rodríguez também propôs converter o Helicoide, sede do serviço de inteligência venezuelano Sebin, que tem sido utilizado para torturar presos políticos, num centro social e desportivo.

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