A série Read the Screenplay da Deadline, destacando os roteiros por trás dos filmes mais comentados da temporada de premiações, continua com a estreia do filme Black Bear, no Festival de Cinema de Toronto Cristianeescrito e dirigido por David Michôd, co-escrito por Mirrah Foulkes, com história de Katherine Fugate.
Sydney Sweeney interpreta Christy Martin na história verdadeira e angustiante e na notável ascensão do campeão de boxe. O filme é um drama cru e corajoso que acompanha a vida de Martin, de um lutador prodigioso na Virgínia Ocidental a um ícone do esporte internacional, transformando-se em uma história de sobrevivência contra seu oponente mais perigoso: seu próprio marido.
O roteiro começa em 1989, traçando a trajetória de Christy como uma pugilista inexperiente, porém talentosa. Seu caminho é traçado quando ela conhece Jim Martin (Ben Foster), um treinador que imediatamente reconhece sua ferocidade. Sob sua orientação, ela está no caminho de dominar o boxe feminino, vencendo torneios um após o outro.
No entanto, a vida pessoal de Christy está repleta de obstáculos. Sua sexualidade é fonte de conflito para sua família, e a pressão leva ao doloroso rompimento com sua namorada, Rosie (Jess Gabor), que sucumbe às expectativas familiares. Enquanto isso, Jim – cuja influência rapidamente se torna manipuladora – mina a confiança de Christy, criticando sua imagem de “excesso de peso e machista” e forçando-a a adotar uma aparência feminina mais convencional. A dinâmica marca o início de um relacionamento que se torna abusivo, preparando o terreno para o controle profundo que Jim exerce sobre sua vida.
Em 1995, os Martins estão casados e com dificuldades financeiras, perseguindo a promessa indescritível de um encontro com o empresário de boxe Don King (Chad L. Coleman). Sem opções, Christy é forçada a uma diversão sombria e desesperada: ganhar dinheiro participando de brigas bizarras e pagas com homens em motéis. A maré finalmente muda quando ela se encontra com King depois que um batedor testemunha sua luta. Ele a contrata e estabelece com sucesso sua personalidade de celebridade como “a filha do mineiro de carvão”. Christy alcançou a fama, viajando para Las Vegas para lutar no pay-per-view – a primeira boxeadora a fazê-lo – e solidificando uma série de vitórias que a transforma em um fenômeno esportivo global.
O ato final mostra o mundo de Christy em declínio, marcado pelo abuso de drogas, uma desaceleração em sua carreira e a intensificação do abuso de Jim. O relacionamento desmorona quando Christy descobre que Jim está roubando secretamente seus ganhos; mostrando fitas de vídeo privadas dela; e, finalmente, fabricar uma luta planejada para a qual ela vinha treinando.
O tema central, conforme destacado pela própria Martin, é a violência doméstica e o abuso sistemático de controle. O abuso é mostrado como uma campanha estratégica para tirar a autonomia de Christy, desde a constante manipulação verbal sobre sua aparência até o ato de violência final e assassino quando ela tenta sair. O monólogo do tribunal serve como o ápice emocional deste tema, posicionando a declaração pública final de Christy como sua vitória final sobre o controle de Jim.
Um tema paralelo e crítico é a luta pela identidade e auto-aceitação num ambiente restritivo. Criada em uma cidade pequena, Christy foi forçada a “mascarar quem ela era, quem ela amava” e foi castigada por sua sexualidade. As pressões de seus pais e a manipulação de Jim para mudar sua aparência e sexualidade ressaltam o tema da conformidade versus autenticidade. A narrativa de sua carreira está entrelaçada com sua jornada para descobrir quem ela realmente é sob a fachada da personagem “filha de um mineiro de carvão”.
A equipe criativa explorou o contraste entre a dureza pública de Christy e seu estado emocional privado. Sweeney destacou o desafio de equilibrar a “resistência e a sua vulnerabilidade” de Christy, observando que a sua força muitas vezes vinha de “mascarar a dor profunda”. Os cineastas pretendiam mostrar que a força “nem sempre é visível e como a sobrevivência assume tantas formas”.
Leia o roteiro abaixo.













