A Marvel está passando por dificuldade nas vendas de suas revistas, a empresa que costumava dominar o top 10 de HQ’s mais vendidas do mês agora sofre para manter um de seus títulos na lista.

Tomando o mês de fevereiro como exemplo, a única HQ Marvel que participou do top 10 na verdade nem pertence a linha principal de heróis da editora, pertence ao universo de Star Wars, que atualmente tem suas revista sedo lançadas pela Marvel.

Visando lucro a Marvel fez uma reunião com os lojistas para tentar formular possíveis soluções para o problema.

O problema é a diversidade?

Muitos pontos foram apresentados, mas o que mais gerou polêmica foi a alegação de que a diversidade cultural e étnica dos novos personagens não ajudam nas vendas, mas será que isso é verdade?

Primeiro é importante notar que essa alegação foi feita com base no número de vendas, não em relação a qualidade das histórias. A principal preocupação dos lojistas é vender e não ter boas tramas, provavelmente por isso o desejo deles não vai de encontro com o desejo dos leitores de longa data e acaba por gerar aberrações como Heróis Renascem, por exemplo.

O “Capeitão” América da reformulação Heróis Renascem

As mega sagas da editora, que hoje em dia são uma estratégia gasta, no passado foi uma solução para aumentar o número de vendas. Criar uma saga e colocar todos os títulos com histórias interligadas a essa saga, obrigando o leitor a comprar tudo que saía para compreender tudo que estava acontecendo. But… essa tática não funciona mais, pois temos outras sagas desse tipo durante o ano, em vezes até simultaneamente. Explicando dessa forma até parece que a própria editora está se sufocando.

Vamos então manter esse pensamento nas vendas e lucro.

Hoje em dia a maior vitrine para o mundo do quadrinhos são os filmes e os seriados. Uma pessoa sem o costume de ler HQ’s acaba de sair do cinema ou de ver um episódio de uma série sentindo vontade de conhecer mais o personagem, logo passa por uma banca, livraria ou em uma loja especializada em busca de um quadrinho do tal personagem. Mas esse novo leitor vai querer ver aquele personagem que ele acabou de ver nas telas e não o legado dele… é ai que o problema começa.

Vamos pegar como exemplo o Mago Supremo da Marvel, o filme Doutor Estranho foi um sucesso nos cinemas no ano passado. Quando o roteirista Brian Michael Bendis escrevia as histórias dos Novos Vingadores em um dos seus arcos, Stephen Strange perde a alcunha de Mago Supremo para o Irmão Vodu, personagem bem obscuro da editora. Você sem conhecimento algum de cronologia do universo Marvel iria se interessar caso procurasse o Mago Supremo que conheceu no cinema, mas se deparasse apenas com o Irmão Vodu? A história pode ser excelente, mas a maioria das pessoas não iriam nem se permitir ler a história por não ser o personagem que eles estão procurando na realidade.

Irmão Vodu foi o Mago Supremo durante algum tempo

A Marvel, já faz algum tempo, está com uma estratégia de mudar seus principais personagens, sai Steve Rogers e entra Sam Wilson, Tony Stark deixa de ser Homem de Ferro para dar espaço para a jovem Riri Williams, sai o Thor tradicional e entra uma mulher para substituí-lo. O universo cinematográfico da editora não está condizente com o que está acontecendo nos quadrinhos, isso afasta novos leitores.

RiRi-Williams-Ironheart
A nova “Homem” de Ferro dos quadrinhos

E em relação aos leitores de longa data, será que essas mudanças também afetam? Isso vai variar, obviamente, de leitor para leitor.

Tem leitor que prefere se apegar a fórmula comum, quer ler a mesma coisa repetidas vezes infinitamente. O mesmo tipo de leitor que pronuncia que essas mudanças são uma afronta, que vão parar de comprar as histórias dos personagens por conta dessas mudanças. Mas por que a Marvel deveria se importar com a opinião dessa parcela de leitores muitas vezes racistas, homofóbicos e etc? Muito simples, porque eles compram e a editora precisa vender.

Como a editora poderia proceder então? Existe alguma solução para isso?

Talvez seja necessário encontrar um meio termo, agradar a todos, e sinceramente isso é possível. A estratégia da Marvel nesses últimos tempos é uma mudança radical, aposenta os personagens velhos e entra uma nova geração, ao invés de colocar os personagens para coexistir.

A atual Miss Marvel, Kamala Khan e Miles Morales, o jovem Homem Aranha são muito famosos entre os fãs, pois quando eles foram introduzidos no universo regular da Marvel não aposentaram Peter Parker e a antiga Miss Marvel (atual Capitã Marvel) Carol Danvers, então os fãs menos abertos para novidades continuaram a ler as histórias dos antigos personagens e os fã mais mente aberta deram uma chance para os novos personagens e foram cativados, criando assim uma nova base de fãs para esses novos personagens.

Peter Parker e Miles Morales coexistem

Será então que ter um dos personagens principais da editora com uma etnia ou cultura diferente da estabelecida como padrão é impossível?

Sinceramente eu creio que depende de como a editora vai introduzir esse personagem, os três heróis mais importantes dentro da história do universo Marvel são o Capitão América, o Homem de Ferro e o Thor e o herói mais rentável da editora é o Homem Aranha. Porque então não tentar criar um novo personagem para se equivaler aos já existentes? Talvez seja uma ideia melhor do que simplesmente substituir um herói já estabelecido. É obvio que essa estratégia vai demorar para se solidificar, pois para um personagem se tornar grande é necessário tempo para os leitores criarem afinidade, mas talvez se o seu público alvo for uma nova geração de leitores que está se formando e que pode se interessar por essa diversidade quem sabe no futuro não iremos conseguir?

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Nasci no dia 11 de novembro de 1995 e hoje moro no litoral catarinense, onde também curso Jornalismo na Univali. Além de ser o fundador e idealizador do Q Stage, o qual me dedico desde 2014, sou músico e trabalho como produtor de conteúdo audiovisual.