Sempre prezando pela sua família, Dominic Toretto (Vin Diesel) se vê traindo os seus amigos quando Cipher (Charlize Theron), uma cyberterrorista chantageia Toretto para que ele realize missões para ela. Liderados por Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson), a equipe então terá que deter o seu antigo líder e para ajudar, será integrado a equipe aquele que quase derrotou Toretto da última vez. Ian Shaw (Jason Statham)!

A franquia Velozes e Furiosos talvez foi uma das que mais mudou nos últimos anos. Os primeiros filmes se levavam mais a sério, encaravam aquela situação como se fosse realmente algum tipo de trama intrigante. Quando Justin Lin assumiu a franquia, o tom ficou mais leve e os filmes começaram a se divertir mais. Cada vez eles se desprendiam de amarras sérias e se davam conta que os exageros e bobagens eram o cerne da franquia. Talvez essa visão chegou ao ápice na direção de James Wan em Velozes e Furiosos 7 (2015). Não se levando nada a sério, tendo ótimas sequências de humor, excelentes sequências ridiculamente criativas de ação – como carros de para-quedas ou um carro caindo de um prédio ao outro – e uma tocante despedida ao amigo Paul Walker que faleceu em 2013, fez do até então último filme da franquia o auge dela! Talvez fosse a hora de dizer adeus, mas têm pessoas que não sabem a hora de parar.

Dirigido por F. Gary Gray, Velozes e Furiosos 8 é honesto com os fãs na abordagem despretensiosa que veio seguindo a franquia nos últimos anos, mas não é impressionante. Vamos combinar, o público alvo dos filmes é muito limitado. É a figura do brucutu, que está sempre atrás de briga, até como uma forma de divertimento e no final vão estar bem um com outro, independente do que ocorreu. É claramente como é visualmente descrita a sequência inicial de corrida em Cuba. No meio de tantas bundas e excesso de sensualidade gratuita, a corrida é a sequência de ação mais inventiva desse filme. Com planos abertos e uma fotografia mais alaranjada das praias de Cuba, que criam toda uma ambientação diferente dos outros filmes da franquia. Infelizmente, o filme tem ótimas ideias para outras sequências de ação absurdas que estavam por vir, mas a direção de F. Gray não tem o mesmo êxito.

O diretor usa planos muito fechados, como numa sequência de fuga da prisão, com cortes muito rápidos e a sequência em Nova York dos carros zumbis, que é uma ótima ideia e que justifica muito bem a localização do filme, mas o público não tem condições de perceber tanto o parâmetro que a situação toma. Em um ou outro frame conseguimos ver um gigantesco número de carros amontoados, como se fosse no The Walking Dead, mas é muito rápido e com pouca adrenalina no espectador. O mesmo se repete na sequência final, envolvendo um submarino. Pode haver todos os absurdos possíveis, inclusive envolvendo o The Rock, mas é muito mais uma sequência óbvia de computação gráfica exagerada do que a ação absurda de encher os olhos e esvaziar o cérebro. Sem contar que a fotografia que estava linda na sequência de Cuba, acaba utilizando de um filtro preto (que não estava nos trailers) que deixa o filme muito escuro, principalmente pra quem vê no 3D, que ainda por cima não serve para nada!

Esse não é um tipo de filme que você presta à atenção na trama, qual será a missão da vez etc. Sempre é um inimigo x e que eles devem derrotar no meio de explosões e diversão. Contudo dessa vez há um drama envolvendo a traição de Toretto à família. Esse elemento que dentro da franquia soa interessante, acaba por ser um problema no filme. Vin Diesel está muito artifial tendo que dessa vez atuar de forma séria e não como uma brincadeira e não convence. Sem falar que o filme dura mais do que o necessário e muito desse tempo é gasto nesses momentos em que o filme tenta ser sério e dramático, que é algo que eles já haviam largado de mão e tinha sido benéfico para eles. Óbvio que ainda existe humor e diversão no filme, muito na figura do Roman Pearce (Tyrese Gibson), mas ele não tem equilíbrio. Ou ele é muito engraçado ou a piada é muito ruim. O trunfo cômico em Velozes e Furiosos 8 está na relação entre The Rock e Jason Statham. Ambos são excelentes atores quando se trata desse tipo de filme, mega carismáticos e a relação de rivais que eles têm, com xingamentos exagerados, levando os dois a rirem das ofensas (olha a figura do brucutu aí de novo) e até metalinguagem é a diversão da franquia, que aqui tomou um segundo plano por causa do protagonismo de Vin Diesel.

Kurt Russel está bem no filme, mas é substituído por uma figura mais jovem, interpretado por Scott Eastwood, que é péssimo (olha cara para escolher mal seu papéis) e totalmente dispensável; Ludacris e Nathalie Emmanuel estão completamente apagados. Falam uma ou outra frase sobre hackeamento e tecnologia e só; Michelle Rodriguez continua fazendo caras e bocas; e a personagem da Charlize Theron é bem apagada, mas quando está em cena tem presença por causa do talento da atriz. Para quem é fã da franquia (que não é o caso deste que vos fala), Velozes e Furiosos 8 serve ao seu propósito, mas que mesmo dentro da sua abordagem, falha ao tomar (novamente) um caminho mais sério pelo protagonista e que no final não há como não se incomodar com a falta de consequências. Sequências de ação com uma direção aquém dos outros filmes da franquia, principalmente seu antecessor. Talvez fosse a hora de parar mesmo, mas como franquias nunca morrem, vamos esperar pelo próximo!

Nota:
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Estudante de Publicidade e Propaganda. Cinéfilo, adora Séries, leitor ativo de Livros e Quadrinhos.