Criado nas ruas desde pequeno e sem saber sobre a sua linhagem, Arthur (Charlie Hunnam) se vê tendo que lidar com seu destino ao retirar Excalibur, a espada mágica, de uma rocha e enfrentar a ira do tirano rei Vortigern (Jude Law), que irá jurar Arthur de morte e usará de qualquer recurso, principalmente o misticismo para isso. Da mesma forma, Arthur terá a ajuda de uma jovem maga (Astrid Berges-Frisbey) e companheiros da corte de seu pai Uther Pendragon (Eric Bana) para que o jovem deixe de fechar os olhos para o passado e possa encarar o seu destino sem medo!

Rei Arthur é uma figura que já rendeu várias versões. Livros sobre lendas Arturianas foram contadas, Bernard Cronwell ficou muito conhecido pela sua visão e adaptação dessas lendas, a Disney já levou uma animação do Rei Arthur para o cinema em A Espada era a Lei (1964), Excalibur (1981) continua até hoje sendo encarado como a melhor versão do personagem em um longa e o último filme, protagonizado por Clive Owen em 2004 é meio que mantido no esquecimento. Ou seja, várias versões e readaptações possíveis já feitas, umas melhores que outras, mas é um personagem que sempre abre possibilidades para novas visões e por isso que é uma pena quando essas chances não são aproveitadas!

Dirigido por Guy Ritchie (Snatch e Sherlock Holmes), Rei Arthur: A Lenda da Espada é uma versão com uma linguagem e ambientação bem mais atual do que as outras. O cineasta tem essa assinatura de carregar diálogos com uma linguagem de hoje, com palavrões e linguajar que não se esperaria daquela época e que aqui tem um objetivo de dexar o filme com aquela aparência de “filme de rua”, onde boa parte dos figurinos são adaptáveis para parecerem vestimentas de época, ao mesmo tempo que eles poderiam ser usados hoje com quase nenhum estranhamento, como o próprio corte de cabelo do protagonista e até a trilha sonora que mescla muito bem temas que parecem que iriam cair mais para um Rap, mas também consegue criar uma apelo bombástico, misturando gaita de fole para momentos mais dramáticos e ambientar muito bem com a localização do filme!

Mesmo com essa pegada mais suja, da cidade, o filme não ignora o lado místico existente nas lendas arturianas e de cara introduz esses elementos sem criar uma estranheza de tom, que é algo que muitos outros filmes acabam por deixar de lado, pois como acreditam estar trabalhando em algo mais “realista”, inserir magia ou elementos fictícios destoaria demais e ás vezes isso acaba sendo um erro! No caso aqui, essa inserção ajuda, principalmente para tornar o clímax, que assume uma figura totalmente “God of War”, mais coerente. O que acaba por ser o grande problema no equilíbrio fantástico com a parte mais pé no chão, é  o grande problema narrativo do filme!

O roteiro é tão desfocado, sem propósito e incoerente, que a mescla de ambos os tons do filme acabam tornando as coisas bagunçadas, personagem com poderes mágicos sendo sequestrada facilmente, sendo que pode controlar animais que poderiam defendê-la ou atacar com criaturas gigantescas, os marcantes diálogos do Guy Ritchie relatando algo que irá acontecer, enquanto o filme já visualmente mostra os acontecimentos, aqui é repetido várias vezes e muitas sem nenhum propósito e real relevância para o seguimento da trama, apenas tornando o filme mais longo e o ritmo ainda mais prejudicado. Sem contar com todo o segmento do protagonista e a espada, que estão ligados à um mistério que não leva para lugar nenhum e é esquecido no momento que a sequências de ação, recheadas de “slow-motion”, ficarão maneiras na telona. Mal serve para uma real jornada do herói, como a tal “Lenda da Espada”, título do filme, é resolvida em um flashback explicativo! Essa bagunça narrativa também é reproduzida visualmente com uma montagem discutível, com cortes de cenas acontecendo antes mesmo do esperado e uma edição que muitas vezes só reforçam elementos desnecessários!

O longa é frio! A história não consegue envolver e nem o elenco consegue ajudar. Primeiramente que os personagens principais são como se não tivessem nome, pois você quase nunca escuta alguém sendo chamado; depois que ninguém do elenco se destaca. Charlie Hunnam é um ator competente, no início tem esse ar de Arthur malandro, mas com o andar da trama tornando a narrativa mais séria, o roteiro não abre espaço para o personagem ser no mínimo carismático, tornando-o aborrecido; Jude Law é um ótimo ator e isso é inquestionável, mas ele esta tão caricato nesse filme que se fosse de fato um filme que não se leva a sério seria perfeito, mas é muito estranho a decisão do ator e do diretor em seguir nesse caminho; Astrid Berges-Frisbey fala uma ou outra frase motivacional, faz cara de emburrada e é isso; já Eric Bana, Djimon Hounson e Aindan Gillen estão bem na sua função, mas nada realmente destacável!

Rei Arthur: A Lenda da Espada é um filme de origem que tem um estilo particular, mas nada de narrativamente relevante a acrescentar e ignorando praticamente todo o escopo existente das lendas arturianas que poderiam ter sido utilizados para realmente trazer aqui uma nova abordagem; com um elenco apático, muito mais preocupado com um início de franquia, o filme parece (até pelos resultados de bilheteria) o início do fim. Podem colocar a Excalibur na rocha novamente e esperar alguém que tenha algo de realmente interessante para contar. Se isso não acontecer, podem devolver a espada para a Dama do Lago!

Nota:
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Estudante de Publicidade e Propaganda. Cinéfilo, adora Séries, leitor ativo de Livros e Quadrinhos.