Ninguém esperava que uma atração do parque da Disney um dia viraria uma franquia milionária! Foi o que aconteceu com Piratas do Caribe, que rendeu uma excelente lucratividade para o estúdio e renovou a carreira do Johnny Depp, tornando o Capitão Jack Sparrow o personagem mais querido e popular dos fãs do ator. Agora os tempos são diferentes! Depois do terceiro filme, em 2007, Piratas do Caribe já não teve uma recepção acalorada na sua quarta aventura, Jack Sparrow já havia se tornado uma caricatura de si mesmo e de lá para cá, principalmente desde o ano passado, a figura de Johnny Depp em uma mega produção não é associada de uma forma positiva. Sem falar em problemas na produção desse quinto filme. Bom, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar está no cinema e se forem sensatos, tomara que pela última vez!

Querendo quebrar a maldição de seu pai, Will Turner (Orlando Bloom), Henry Turner (Brenton Thwaites) está à procura do Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) para que ele possa ajudá-lo a encontrar a fonte para acabar com qualquer maldição, o Tridente de Poseidon. Contudo o jovem terá que encontrar o pirata de qualquer jeito, pois Salazar (Javier Bardem) e sua amaldiçoada tripulação quer se vingar de Jack Sparrow e o Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), querendo manter o seu domínio nos mares, irá ajudar o vilão! Enquanto isso, Jack, desacreditado da sua tripulação, irá esbarrar com Carina Smyth (Kaya Scodelaro), uma jovem que é taxada de bruxa pelo seu conhecimento e paixão pela ciência e como só ela é capaz de ler o mapa que levará a todos até o Tridente de Poseidon, se juntará a mais nova aventura pelos mares do Caribe!

 Uma coisa é clara, a história nunca foi o forte de Piratas do Caribe! Da mesma forma que o elemento fonte, cada filme aumentava o grau do espetáculo visual, das lutas de espadas em ambientes cada vez mais absurdos, batalhas de um navio contra o outro, a figura excêntrica do Jack Sparrow, embalada na bombástica trilha composta por Hans Zimmer. Como uma verdadeira atração de um parque de diversão! Depois do terceiro filme, era impossível, até em questão de orçamento, aumentar a escala do épico que havia sido alcançada. O quarto filme sofreu com isso ao tentar criar uma história totalmente nova, com quase nenhum resquício da trilogia, mas ainda tentar repetir os mesmos elementos sem uma novidade e querer sustentar todo filme unicamente no Jack Sparrow. Dirigido por Joachim Ronning e Espen Sandberg, A Vingança de Salazar não tenta ser mais grandioso, é até um tanto sutil, mas como os outros filmes da franquia, com exceção do primeiro, tem no roteiro o seu elemento mais fraco e problemático!

O roteiro de Jeff Nathanson ignora vários elementos que já haviam sido apresentados nos filmes anteriores, principalmente o que envolve a Bússola de Jack Sparrow; sem contar que o quarto filme havia cortado personagens que estavam na trilogia, supondo até que eles haviam morrido e aqui parte desses personagens estão de volta, sem uma única justificativa. Ao mesmo tempo que mostra-se incoerente com o que já havia sido estabelecido anteriormente, o roteiro não disfarça em nenhum momento as tentativas de novamente reciclar elementos que funcionaram antes, principalmente no primeiro filme. A própria ameça do Salazar e sua tripulação fantasma é um elemento interessante de contos de piratas e o design deles com partes do corpo faltando é muito criativo, mas na prática eles não são diferentes da tripulação de mortos-vivos comandada pelo Capitão Barbossa em A Maldição do Pérola Negra (2003) e mesmo Javier Bardem estando completamente caricato no bom sentido, faltam mais cenas para que ele se destaque de fato como vilão; da mesma forma como eles ainda insistem com o casal do filme desde lá do início, sendo que é uma das coisas mais fracas da franquia. No quarto filme eles tentaram investir num romance diferente entre os personagens de Sam Claflin e Àstrid Bergès-Frisbey, mas obteve um resultado inferior ao romance entre Will Turner e Elizabeth Swann e no caso desse filme, eles não tentam disfarçar nem nada. Os personagens Henry Turner e Carina Smyth tem a mesma dinâmica com Jack só que com menos carisma do que havia com Orlando Bloom e Keira Knightley!

O filme ainda sofre com uma certa falta de foco. Existe uma relevância desnecessária com o personagem do David Whenham, que é um tipo de vilão do primeiro ato do filme, mas que continua na trama gratuitamente (esse não é o ano do David Whenham), apenas tirando o foco de pontos mais importantes como desenvolver melhor a personagem da Kaya Scodelario e dar mais tempo de tela para o Barbossa, que mesmo sendo o personagem mais divertido e o próprio Geoffrey Rush parece estar se divertindo, aparece menos do que realmente necessitava. Enquanto Geoffrey Rush se diverte, o mesmo não pode ser dito de Johnny Deep. Se no filme anterior houve um excesso em tentar segurar o filme unicamente na figura do Jack Sparrow, aqui o ator parece tão desinteressado que o próprio filme aos poucos parece perder o interesse em dar o destaque ao protagonista, o que por um lado é péssimo afinal boa parte do sucesso da franquia era por causa dele, mas por outro lado isso diminuiu o peso dos exageros e deixou o filme mais leve e até divertido!

Contudo como dito anteriormente, a história nunca foi o foco de Piratas do Caribe e mesmo o roteiro sendo o grande prejudicial, o filme, ainda assim, consegue ser divertido. Houve um problema dentro da cronologia ao trazer alguns personagens de volta, porém só de ver esses rostos conhecidos o filme conseguiu uma aproximação maior com o público, diferente do afastamento que o quarto filme causou. O mesmo se diz do objetivo de Henry Turner, que ao envolver Will Turner te deixa mais engajado ao chegar até o final ainda com certo interesse. Enquanto no quesito ação, o filme consegue boas ideias em determinadas situações. Há um exagero logo na primeira cena envolvendo um roubo de banco, mas mesmo assim a cena é bem dirigida e não há quase nenhum estranhamento com a computação gráfica; outra cena mais sutil é envolvendo uma guilhotina. Não só ambienta melhor a época que o filme passa como a sequência é visualmente atrativa, cômica e mesmo não sendo grandiosa como empurrar um barco de um lado para o outro até ele virar, na sutileza consegue o mesmo feito de diversão. Uma pena que outras sequências são noturnas e a fotografia do filme nesses momentos está muito mais escura do que o normal. Provavelmente para corrigir qualquer problema de CGI!

O grande problema na sutileza em A Vingança de Salazar é no clímax. A facilidade na conclusão foi um tanto estranha, pois esperava-se que o filme estivesse se segurando para ser mais grandioso numa sequência final com a trilha sonora lá no alto, mas não acontece. Contudo os efeitos envolvendo a cena, com o mar dividido, a fotografia destacando as cores azuis dos mares daquela região deixam a cena muito bonita como os outros filmes anteriores e a trilha sonora de Geoff Zanelli reproduz muito bem os temas de Hans Zimmer, conseguindo em momentos pontuais mexer com o sentimento do espectador. Sem um momento final grandioso, o filme mesmo assim acerta muito bem no seu desfecho por criar um ar muito satisfatório de conclusão dentro dessa história e dessa vez com um “final feliz”!

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar não consegue reproduzir o mesmo feito do primeiro filme nas suas repetições, é incoerente, mas acerta no tom mais leve, divertido e ao ser mais familiar do que o filme anterior, principalmente por acertadamente criar esse clima de conclusão de história. Piratas do Caribe continua sendo uma franquia dentro da Disney que dá dinheiro, mas realmente seria muito bom se esse, definitivamente, fosse o ponto final. Se não for, aproveitem o momento em que a figura do Johnny Depp pela primeira vez não é maior que a franquia e continuem velejando com novos filmes, mas com o Capitão Jack Sparrow finalmente ancorando o seu querido Pérola!

Observação: Há uma cena bem interessante após os créditos!

Nota:
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Estudante de Publicidade e Propaganda. Cinéfilo, adora Séries, leitor ativo de Livros e Quadrinhos.