Capa do filme “As Bodas de Satã”

Sendo aclamado como um dos melhores filmes da produtora independente Hammer Films, As Bodas de Satã (1968) é uma representação canastrona da grande obra de mesmo nome escrita por Dennis Wheatley, em 1934.

Dennis Wheatley foi um dos grandes escritores de thrillers ingleses. Flertava muito com o ocultismo e chegou a influenciar letras musicais de bandas como Black Sabbath e Electric Wizard. Um livro de um escritor tão aclamado pela literatura de terror londrino pode parecer um desafio muito grande para uma adaptação, mas não para Terence Fisher e Richard Matheson, as cabeças por trás do clássico filme.

Estrelado por Christopher Lee e Leon Greene, a trama se passa após a ausência de um dos três amigos numa reunião entre eles. Os personagens de Christopher e Leon vão até a sua casa para conferir se está tudo bem com o amigo e descobrem que o mesmo está envolvido em uma seita satânica.

O filme em si têm um ritmo rápido pra época, ótimo roteiro e efeitos levemente datados. Mas alguns efeitos, ainda que estranhos, impressionam, como a aparição de Lúcifer em si.

O filme trás o que a Hammer tem de melhor: a atmosfera e a teatralidade, porém com um toque de criação que o destaca de ser uma mera produção gótica, o flerte com o satanismo e com figuras impactantes que deveriam chocar as audiências europeias na época, acostumadas a ver um outro tipo de filme da produtora (apesar da pouca violência, sangue e nenhuma nudez).

O elenco ajuda muito a passar esta boa impressão. Lee que – salvo engano – está em seu único papel na Hammer como mocinho interpreta com bastante empolgação seu Conde e é acompanhado páreo a páreo com Charles Gray e seu maligno Mocata. Um duelo de gigantes, como versões satânicas de Van Helsing e Drácula. Os demais coadjuvantes não são ruins, porém não chegam nem próximo da dupla principal.

Os problemas residem nos valores de produção: o figurino dos membros do culto, por exemplo, parece um desfile de carnaval com suas túnicas brilhantes roxas chamativas. Pela duração da película parece que poderia perder uns bons 10 minutos de enrolação no ato final, porém, ainda assim, é um filme onde só a interpretação inspirada de Lee já vale todo o esforço.

Mesmo assim seu visual retrô, com aquela paleta de cores pastéis digna da série A Feiticeira (1964) e com maquiagens tão pastelonas quanto as próprias atuações, o filme tem seu charme único e recomendável a todos.

Curtiu? Então compartilhe com seus amigos:
Sonolento e cético, estabanado e viciado em café. Apreciador de músicas demoníacas desconhecidas, mas também dança todas do molejão quando ninguém está olhando. Ama filmes de terror e giallos, mas incapaz de pegar um copo de água na cozinha de noite.